Nasce uma alma


 

Parafraseando o próprio João Amoedo – “O que nos motiva não é a certeza do sucesso, mas o senso de obrigação que temos com o país e com as futuras gerações”. E, imbuído neste senso de obrigação, ninguém espera que o NOVO ganhe, mas todos esperam que o NOVO esteja lá.

Esta frase sintetiza o pensamento consagrado de todos os presentes à reunião interna mensal do Diretório Paulista do NOVO, na noite anterior (10).

Cedendo às crescentes demandas por maior participação decisória de todos os filiados que participam ativamente da vida partidária e não apenas dos que possuem recursos financeiros para pagar a doação mensal extra, a reunião, pela primeira vez, congregou os filiados A30 e V30.

De modo salutar, o Diretório abriu a reunião delineando sobre o processo seletivo utilizado na avaliação dos 450 pré-candidatos inscritos nos processos internos às vagas de Vereador e Prefeito, nas cinco capitais onde o NOVO concentrará sua campanha em 2016: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre.

Dentro de uma análise completamente sistemática, os inscritos foram avaliados conforme notas recebidas pelos seguintes critérios (subjetivos): Ética / Alinhamento ideológico / Profundidade de ideias / Comunicação verbal, carisma e assertividade / Capacidade de trabalho em equipe / Aprendizagem, motivação / Engajamento comunitário / Disponibilidade pessoal / Capacidade de gestão (para prefeitos).

Nas palavras do próprio Diretório, a seleção foi organizada de forma a selecionar candidatos do mais alto gabarito e apenas aqueles cuja decisão dos entrevistadores fosse unânime, inclusive cerceando excelentes possíveis candidatos que, por conta de alguma característica particular (dentre os quais inabilidade de comunicação e desagregador), não recebera uma votação unânime.

Segundo Erich Tavares do Núcleo Paulistano,  a qualidade foi altíssima e poderíamos ter aprovados todas as vagas disponíveis mas, preferimos contar apenas com os mais bem avaliados e evitar uma “canibalização” das candidaturas em São Paulo, focando em poucas e viáveis, por sua excelência.

Uma decisão questionável de inúmeras formas. O partido já afirmou que os candidatos não terão recursos financeiros à disposição, portanto, pelo princípio da lógica e da isonomia, não precisaria limitar-se a poucos candidatos, ainda mais tratando-se de uma metrópole tão vasta, regiões tão díspares e quase 9 milhões de eleitores habilitados.

Respeitando ainda a pluralidade da sociedade e o alinhamento ideológico partidário, às candidaturas menos expressivas reservar-se-ia, no mínimo, o papel principal de difundir os ideais do partido, mais do que propriamente na possibilidade de vitória.

No mais, contraria estudos como o de Bruno Wilhelm SpeckA filiação partidária no contexto pré-eleitoral no Brasil – onde afirma que:

“quanto mais candidatos a vereador, mais novos filiados, assim como, os partidos que apresentaram candidatos à prefeitura tiveram mais filiações” pois “as filiações partidárias (ideológicas ou candidativas) se concentram no ano que antecede as eleições municipais no Brasil. Identificamos que entre os fatores que influenciam as taxas de filiação estão o número de candidatos à Câmara e a presença de candidatos à prefeitura”.

A ideia de que uma engenharia seletiva proporcionaria ao NOVO uma concepção de candidatos perfeitos é tão questionável quanto a alegação de que é necessária pois o brasileiro médio estaria interessado em política para o seu benefício próprio e, portanto, validaria a exclusão de muitas candidaturas excelentes porém, sem unanimidade por conta de critérios subjetivos.

Oswaldo E. do Amaral, em sua Análise do perfil dos filiados a partidos políticos, constata

“de uma maneira geral, os filiados afirmaram terem se decidido juntar a um partido político por conta de suas convicções políticas, da existência de uma tradição de envolvimento político da família e por gostarem da convivência e das atividades da vida partidária. Logo atrás dessas motivações vieram a perspectiva de seguir uma carreira política e a de arrumar um emprego. Isso sugere que as convicções pessoais e as redes de socialização prévias, como as formadas por amigos e parentes, exercem um papel fundamental na decisão individual de se filiar a uma agremiação política, e não a chance de arrumar um emprego ou obter vantagens individuais.”

A defesa excessiva da sobrevivência da organização partidária acaba se tornando o pré-requisito para a reprodução do poder oligárquico intrapartidário, conforme já indicara Robert Michels ao explicar a sua famosa Lei de Ferro da Oligarquia, sobre o caráter elitista das lideranças e sua tendência à apatia e à centralização.

O outro dado que corrobora contra tese de lançar menos candidatos é a correlação entre os votos conquistados e os votos conquistados nas eleições futuras. Em seu A reforma política e a crise de representatividade do sistema partidário brasileiroOrides Mezzaroba relaciona a “capacidade de angariar recursos financeiros (doações ou filiados) com o desempenho eleitoral deles na eleição anterior”. Onde “a conquista de cadeiras é um indicativo de conquista de recursos para a campanha seguinte.” Da mesma forma, o tempo de televisão para a divulgação de sua candidatura.

A crítica se avoluma conforme o Diretório Paulista reproduz a intenção do Diretório Nacional de não lançar candidato próprio à prefeitura de São Paulo. Da mesma forma como não pretende indicar outros candidatos aos municípios de Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte. No caso paulistano, do total de 20 inscritos para o processo interno, 13 foram aprovados para a segunda fase onde, nenhum dos quais, fora “aprovado”.

Como explicitada para a seleção dos pré-candidatos a vereador, Beatriz Figueiredo, Presidente do Diretório Paulista, delineou os aspectos envolvidos no processo decisório e que, para o projeto de se encontrar o candidato especial para o NOVO, aquele que possuísse  uma luz, carisma e propriedades pessoais acima da média. Desta feita, os avaliadores acabaram não aprovando nenhum dentre os 13 elegíveis para segunda fase do processo. Apesar de todos eles “serem melhores que os Haddads, Russomanos e Erundinas ai disponíneis” emenda Christian Lohbauer, do DN.

Delineando sobre as boas intenções da Direção Nacional, na montagem de todo o processo, na engenharia envolvida na busca pelo candidato ideal, os filiados presentes muito questionaram se o rigor extremo não era contraproducente ao próprio teor de longo prazo do projeto. A busca pela perfeição, na ocasião do périplo que uma virtual (e improvável) vitória iria exigir deste candidato e do próprio partido no curtíssimo prazo não seria por demais sacrificante com o seu próprio projeto a longo prazo?

Nas palavras de um dos filiados presentes, “Por mais exata e acertada que seja a régua do partido, há momentos que a sensibilidade humana deve falar mais alto” e de outro, “para nossa primeira eleição, não podemos usar a régua AAAA que falaram. Temos que usar esta eleição para aprendizado, pois não vamos ganhar. Não precisamos outra eleição apenas para aprender como fazer uma campanha para vereador”.

Adunando este sentimento, agora na forma de fatos e embasados na lei eleitoral, Luiz Aguilar, lider da equipe de Inteligência Eleitoral do NOVO-SP, aproveitou para colocar a análise do ponto de vista racional, pela lógica dos resultados obtidos e pela legislação.

Luiz Aguilar - Inteligência Eleitoral

Luiz Aguilar – Grupo de Inteligência Eleitoral NOVO-SP

 

A decisão de não lançar candidatura à prefeitura paulistana seria danosa, não apenas do ponto de vista emocional mas também do ponto de vista racional, como “projeto de longo prazo”, e estratégico, tendo em vista a legislação e o próprio momento de reorganização ideológica a ser cicatrizado nas eleições de outubro.

Continua afirmando que seria crucial ao desempenho eleitoral à Câmara de Vereadores que o partido participasse também da disputa para a prefeitura, seja em tempo de exposição na mídia, nos debates, na veiculação gratuita em horário nobre e no engajamento maior de sua base de filiados e simpatizantes.

A legislação eleitoral é clara no tocante ao tempo gratuito disponibilizado aos partidos (ou coligações) com candidaturas para a prefeitura:

Art. 37.  As emissoras de rádio e de televisão veicularão, no período de 26 de agosto a 29 de setembro de 2016, a propaganda eleitoral gratuita da seguinte forma (Lei nº 9.504/1997, art. 47, caput, § 1º, incisos VI e VII):
I – em rede, nas eleições para prefeito, de segunda a sábado:
a) das 7 horas às 7 horas e 10 minutos e das 12 horas às 12 horas e 10 minutos, no rádio;
b) das 13 horas às 13 horas e 10 minutos e das 20 horas e 30 minutos às 20 horas e 40 minutos, na televisão.
II – em inserções de trinta e de sessenta segundos, nas eleições para prefeito e vereador, de segunda a domingo, em um total de setenta minutos diários, distribuídas ao longo da programação veiculada entre as 5 e as 24 horas, na proporção de sessenta por cento para prefeito e de quarenta por cento para vereador.
e
Art. 39.  Os Juízes Eleitorais distribuirão os horários reservados à propaganda em rede, para o cargo de prefeito, e à propaganda em inserções, para ambos os cargos, entre os partidos e as coligações que tenham candidato, observados os seguintes critérios (Lei nº 9.504/1997, art. 47, §§ 2º a 7º):
I – noventa por cento distribuídos proporcionalmente ao número de representantes na Câmara dos Deputados, considerados, no caso de coligação para eleições majoritárias, o resultado da soma do número de representantes dos seis maiores partidos que a integrem e, nos casos de coligações para eleições proporcionais, o resultado da soma do número de representantes de todos os partidos que a integrem;
II – dez por cento distribuídos igualitariamente.

Somente o tempo para a campanha a Prefeito seriam: 1068 segundos (17,8 min) de veiculação contra, somados, 392 segundos (6,5 min) para toda a veiculação referente ao pleito para a assembleia legislativa. Não ter candidatura própria resultaria em uma diminuição  de -75% do tempo de exposição gratuíto. Pra quem não tem recursos para arcar com publicidade, desperdiçar 3/4 do tempo disponível para apresentar suas ideias é extremamente considerável.

A opinião do Grupo de Inteligência Eleitoral é compartilhada por Orides Mezzaroba, em seu – A reforma política e a crise de representatividade do sistema partidário brasileiro, onde conclui:

No caso específico das pequenas legendas, tal possibilidade é crucial para sua sobrevivência política. Dispondo de um volume comparativamente pequeno de recursos, pois recebem  uma quantia menor do fundo partidário e têm pouco tempo de TV, seu cálculo estratégico deve levar em consideração essa realidade que não lhes permite a disputa por cargos na mesma proporção em que o fazem as grandes e médias legendas. Dessa forma, uma questão de suma importância para os pequenos partidos é a escolha de onde competir para maximizar suas chances.

O argumento do Grupo de Inteligência Eleitoral e dos filiados presentes retorna ao pilar fundamental do Presidente Nacional do NOVO, João Amoedo – “O que nos motiva não é a certeza do sucesso, mas o senso de obrigação que temos com o país e com as futuras gerações”. Segundo a maioria absoluta dos presentes, por conta deste próprio senso de obrigação, “ninguém espera que o NOVO vença, mas todos esperam que o NOVO esteja lá”.

De forma a destacar a decisão dos filiados paulistanos presentes na noite anterior (10), como principais interessados no sucesso do partido e que sacrificam sua vida pessoal para levar adiante o projeto de um partido político para o bem coletivo, representados na reunião pelos V30 e A30, ficou decidido pelo apoio ao lançamento de um candidato à prefeitura de São Paulo pelo NOVO, na forma de um abaixo-assinado, elaborado por Rodrigo Sanches e encaminhado ao Diretório Nacional.

A30 e V30 decidem pelo lançamento da candidatura própria do NOVO à prefeitura de São Paulo (1)

A30 e V30 decidem pelo lançamento da candidatura própria do NOVO à prefeitura de São Paulo (1)

A30 e V30 decidem pelo lançamento da candidatura própria do NOVO à prefeitura de São Paulo (2)

O pensamento dos filiados vai de encontro à definição da relação voluntária do jogo partidário e sua própria personificação enquanto entidade assimétrica porém relacional, conforme afirma Panebianco (1988:42),

“o poder, numa organização voluntária como é o partido político, é relacional, assimétrico, mas recíproco, isto é, manifesta-se em uma “negociação desequilibrada” em que embora um agente organizativo ganhe mais do que o outro esse poder é limitado pela própria natureza da interação entre os agentes organizativos (eleitores fiéis, filiados, militantes).”

Cabe ao partido agora, contrariar a lógica da Lei de Ferro (Robert Michels) e desmistificar a ótica dominante de que o partido, com sua centralização excessiva, a despeito de todas as suas carências, siga a mesma linha dos partidos de cunho totalitário, uma “organização que dá lugar ao domínio dos eleitos sobre os eleitores” e mostrar que o partido NOVO prega verdadeiramente os seus valores de liberdade individual com responsabilidade, isonomia filiada e do indivíduo como agente de mudanças.

O filiado disse ontem, claramente, que ele é sócio do projeto. Ele é quem põe a cara na rua, seu nome e seu tempo, a despeito da própria reputação, carreira e família. E a tal “porta” não serve mais como solução. É preciso confiar para lidar com tal grau de responsabilidade. E os dirigentes do NOVO é que vão decidir. A Convenção está chegando.

Em 15 de setembro de 2015 o Partido NOVO ganhou corpo. Ontem a noite, ele ganhou alma.

***

Atos posteriores:

CARTA ABERTA AOS FILIADOS E APOIADORES DO NOVO

O que espero do I Encontro Nacional de Amigos do Partido Novo?

CONFIA-NOVO, Corrente Nacional dos Filiados do Novo

 

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13 comentários sobre “Nasce uma alma

  1. Estamos fazendo história. Somos NOVOs e certamente será mais adequado para nós começarmos pelo legislativo municipal. Essa será a melhor porta de entrada na política nacional.

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    • Ok Clóvis,

      Mais não lançar candidatos a prefeito é perder chance de “aparecer”. O Partido Novo e suas propostas precisam ser amplamente divulgadas por que é Isso que onpartido tem de melhor. Sou apoiador do Partido Novo e isso me deixa muito a vontade de dizer o que penso e nao o que os dirigente é do Partido querem ou ir, quero Mais é ver este Partido Novo crescer.

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  2. Dennys, excelente artigo! Me senti orgulhoso de fazer parte desta reunião que, como você bem disse, mostrou àqueles que nos dirigem que existe uma boa “alma” no partido e que essa alma não é daquelas que assustam as pessoas em lugares macabros. Essa alma boa quer, com coragem, determinação e dedicação, lutar e defender nossos caros valores nos debates urbanos em nossa primeira campanha eleitoral. Essa alma de fato existe e está em todos nós que queremos um novo país! Estamos juntos e vamos conseguir mudar nossos rumos. Valeu!

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  4. Parabéns
    Reuniões somente com a cúpula do partido. Que diferente sós outros. Como disse, estamos de olho. Reuniões sem aviso público, candidatos escolhidos e candidatura à prefeito negada? Desculpem, mas só vou começar a acreditar em tudo isso quando devolverem o fundo partidário. Estão indo contra o estatuto do novo.

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  8. Acho um erro não lançar candidatos ao executivo. As eleições municipais são Uma enorme vitrine para a marca “NOVO” oportunidade de divulgar todos os diferenciais que o Partido Novo tem. Se não quer “brincar” não dece pro play !!

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