Voluntários e o sucesso do Partido NOVO


 

Criando uma ligação afetiva com o paulistano

Todo domingo, a partir das 9 horas, o Grupo Ações de Rua do Núcleo São Paulo arma o seu “acampamento” no mesmo lugar, no coração da Avenida Paulista, a mais importante do país. Tendo apenas o Sol e o famoso MASP como companhia, os primeiros voluntários já estão à postos, aguardando os paulistanos em seu merecido dia de descanso, para completar o belo cenário.

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Estrutura pronta, para receber os voluntários do NOVO

O grupo, subordinado ao Núcleo Paulista, é coordenado por Alfredo Fuentes e Isabel Barcello, responsáveis pela infraestrutura e organização do grupo via WhatsApp. Existem ainda alguns mentores, que “em razão de sua experiência e assiduidade nas ações, têm a missão de replicar conhecimento e servir de apoio aos demais membros principalmente os novos entrantes”, como explica o Guia do Voluntariado para Ações de Rua. Um livreto de 13 páginas criado pelo próprio Alfredo para orientar, padronizar e servir de guia aos voluntários novatos do grupo.

Faça o que eu digo e o que eu faço

O grupo é bastante recente e vem fazer frente à necessidade de divulgar o partido recém oficializado, que se propõe a alterar o paradigma da política nacional. A começar pelo próprio de se fazer política, dependendo apenas e unicamente da contribuição mensal e doações de seus filiados. É contra o financiamento público dos partidos políticos, afirmando que cada cidadão deveria financiar apenas o partido que desejasse e não todos eles, como é hoje.

Deste modo, toda a equipe do Ação de Ruas do NOVO é voluntária. Sendo contra o fundo partidário, nem um centavo do mesmo é utilizado nas ações. Nem será utilizado nas campanhas eleitorais ou na manutenção das futuras sedes de Diretórios. Seu destino será unicamente na produção de peças publicitárias contra o fundo partidário e outras atividades cuja finalidade não seja política. O engajamento dos voluntários, de tão genuíno, já foi digno de algumas notas na imprensa.

 

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Voluntários chegando e a Paulista ganhando vida

Cadastramento de interessados e simpatizantes

As Ações de Rua foram planejadas para acontecer nos pontos mais movimentados das cidades. Em São Paulo, já foram realizadas em lugares  como o Parque do Ibirapuera e o Parque Villa Lobos e até na forma de bicicletadas, sempre com um sorriso e uma simpatia capaz de encantar o mais desencantado cidadão e enfrentar o maior pé d`água. Seja na chuva ou no Sol, todo final de semana tem ação.

O grupo ganhou força pouco a pouco. A cada semana, uma adesão cada vez maior de  voluntários. Alfredo explica que, nestes locais, eles distribuem materiais para divulgar as ideias e diferenciais do NOVO como: folhetos, cartões, adesivos, balões de gás para crianças e garrafas de água. Os voluntários aproveitam e cadastram os simpatizantes interessados em receber mais informações sobre os eventos, palestras e ações do partido.

Voluntários na Avenida Paulista

Voluntários do NOVO em ação, na Avenida Paulista

Grande palco paulistano

No último domingo (13/12/2015), a Avenida Paulista foi o grande palco da manifestação a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Do mesmo modo que o NOVO, diversos grupos levaram suas bandeiras à avenida, aproveitando a grande concentração de pessoas por causa da manifestação. Esses grupos solicitavam assinaturas para projetos de lei de iniciativas populares, para fundação de partidos políticos (como o Partido Federalista) e as mais diversas causas.

Os meios de comunicação deram bastante destaque para a ação do NOVO na avenida, com suas camisetas laranjas misturando-se às amarelas da multidão. Tal qual a nova tendência da SPFW deste ano, do toque vibrante e quente, como se fosse a cara da nova geração política brasileira.

A revista Época publicou em sua página na Internet: “As pessoas estão vindo falar conosco também porque simpatizam com as ideias liberais”, diz Isabel Barcello, militante do Partido Novo. – Mas acho que, principalmente, elas não aguentam mais a corrupção e a crise econômica -.

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A microempresária Isabela Barcello, voluntária do Partido Novo (foto: Marcos Coronato)

Todo domingo, o NOVO monta na avenida uma barraca para divulgar suas propostas e arregimentar simpatizantes. Neste domingo, 15 voluntários, como Isabel, atendiam aos passantes interessados.”

A matéria fala também sobre os diversos grupos que armaram suas frentes de arregimentação, afim de angariar simpatizantes às suas causas. No caso do NOVO, o intuito era divulgar o partido recém oficializado. Finaliza a reportagem.

A Ação de Rua do partido também foi matéria vinculada no G1, da Globo. Mesmo que de forma oculta:

“O advogado Everson Andrade disse que foi à Avenida Paulista protestar para mostrar que – honestidade se constrói com honestidade -. Ele afirmou ter gastado R$ 10 com material para fazer as faixas contrárias a Dilma.

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Cartaz de manifestação na Avenida Paulista (foto: Isabela Leite / G1)

Um cartaz colocado no poste de um semáforo pedia que manifestantes escrevessem sua opinião sobre o que é necessário para ter um Brasil melhor.”

A matéria do G1 se referia ao cartaz do NOVO, colocado lá por nossos voluntários afim de expor as demandas mais populares naquele domingo de protestos. Abaixo, o mesmo cartaz em sua totalidade, com o logo do NOVO, suprimido na reportagem, no rodapé:

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Cartaz do NOVO, agora por inteiro

Crescimento orgânico e sustentável

O partido NOVO é sustentado unicamente pela mensalidade e doações de seus filiados. Mesmo com uma infraestrutura extremamente enxuta, sem ações de mídia, baseada unicamente em trabalho voluntário e sem dispor de nenhuma sede física de Diretório no país inteiro, foi apenas no mês de setembro de 2015 que as suas contas fecharam no azul. Foi a primeira vez, desde o projeto de criação do partido, concebido a mais de cinco anos.

Por esta razão, é fundamental contar com o apoio dos seus voluntários para divulgar o partido pelo Brasil. As Ações de Rua acontecem por todo o país e cadastraram 800 interessados no mês de outubro. No mês seguinte, foram totalizadas outras 42 ações, em 22 núcleos diferentes, que mais do que dobraram o número anterior com surpreendentes 1.700 novos cadastros. Apenas a ação do último domingo na Paulista, com pico de 42 voluntários, cadastrou, sozinha, mais de 500 novos simpatizantes.

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Infraestrutura montada na Paulista quase não dá conta do movimento

Sucesso de crítica no público mais escolarizado

Segundo o Datafolha, o público da manifestação deste domingo (13/12) tinha um perfil mais escolarizado (81% com ensino superior), de maior idade (48,2 anos), de renda média alta (44% acima de 10 salários mínimos) e era predominantemente branco (80%). Indicadores bem superiores à médias da cidade, em todos os quesitos.

Dos 1.321 entrevistados, 30% citaram como partido político preferido o PSDB, seguido de 5% do NOVO. Os partidos DEM, PCO, PMDB e PSB foram mencionados por 1% cada. Dos entrevistados, nenhum citou o PT e ainda 55% afirmaram não ter simpatia por nenhum partido político. É principalmente neste último grupo que miram os camisetas laranjas do NOVO.

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Voluntários do NOVO na Avenida Paulista

Um Partido das massas?

Segundo Ferreira, a “definição de um partido pode ser dada pela sua origem, como partido burguês ou partido operário. Pode se dar também pelos seus fins e objetivos, como partido socialista ou partido liberal. Mas, a melhor definição é aquela, centrada na forma de se angariar os votos e ganhar eleições”.

Definindo um partido político pelas suas origens, continua Ferreira, temos os chamados de partidos de elite: descentralizados e seus parlamentares possuem grande autonomia diante do partido, sendo cada um dono de um comitê eleitoral próprio. E há os partidos extra-Parlamento, classificados como partidos de massa. Estes possuem objetivos maiores do que simplesmente alcançar o poder, pois pretendem transformar toda a estrutura social (DUVERGER, 1967).

Segundo a teoria da escolha racional, os partidos formulam políticas para chegar ao poder, fazendo da política um meio e do poder, o fim. Logo, um partido não busca o poder para formular e implementar uma política, pois, nesse caso, o poder seria o meio, e a política, os fins.

Ao negar o jogo político, recusando coligações, conchavos e favores e, utilizando-se do poder para formular e implementar politicas pró-cidadão, estará o NOVO negando a teoria da escolha racional e firmando-se como um partido extra-parlamento? Tornar-se-á um partido de massa, ao tentar transformar a estrutura social pela política?

 

Bibliografia:

Acerca dos partidos políticos e dos sistemas

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Um comentário sobre “Voluntários e o sucesso do Partido NOVO

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