Vender sonhos é diferente de vender ilusões


The Firelight Fairy Book by Henry Beston

“The Firelight Fairy Book” by Henry Beston

 

Por Naomi Yamaguchi,

Muito me entristece ver valores como o indivíduo como agente de mudanças sendo esganados pelo próprio partido. Que aqueles que querem aplicar o estatuto sejam chamados de golpistas. Que se grite alto e orgulhosamente que ninguém será ouvido e que não adianta apelar para o diálogo.

Como estrategista (pós graduada na França), eu vi desde o primeiro dia a necessidade básica de que o partido se apresentasse às eleições este ano. Estamos em uma janela de oportunidade única, o povo clama por uma opção viável e o NOVO era a bola da vez. Os brasileiros torciam por nós! E ele ficará tão pasmo quanto nós ficamos, ao saber que a opção que o Partido NOVO oferece é que eles votem nulo ou votem em branco para prefeito.

Vejo gente demais diagnosticando isso como um absurdo, e permita-me corrigir o Erich Tavares (Diretório Municipal de S.Paulo) – nada foi discutido – apenas comunicado e imposto, nas duas reuniões que houveram.

Sendo absolutamente pragmática, vejo que uma campanha de vereadores sem um candidato principal a prefeito torna-se muito fraca. Perderemos 75% do tempo exposição de televisão  e para um partido sem dinheiro sobrando, isso é o máximo da ineficiência de utilização de recursos.

Não entramos no mérito das inúmeras oportunidades de noticiar o partido através de entrevistas (jornalistas não vão se interessar em cobrir mais de 1000 candidatos a vereador mas iriam atrás de candidatos a prefeito diferenciados), através da divulgação das prévias diferenciadas, uma das maiores atrações anunciadas pelo partido. Ops, é… não vai haver.

Apoio quaisquer movimentos, como o recente CONFIA-NOVO ou o abaixo-assinado carioca, que pretendam repensar ou mesmo reverter o que eu considero uma sandice estratégica, e não é um discurso de ressentida por ter sido uma dos candidatos a prefeito descartados “por não estar à altura”. Eu falo como filiada que se engajou com o NOVO até a medula e estou colocando a minha vida à disposição desse projeto, agora como pré-candidata a vereadora (se também eu não for “punida” por me expressar).

O Davi Oliveira está no NOVO a anos, acompanhando-o e divulgando-o. A possibilidade de não representá-lo bem é mínima e eu confio 100% na sua pessoa. Acho mesmo admirável que ele se exponha dessa maneira e não vejo isto como um ataque ao partido mas como um apoio. Se o partido vê qualquer desacordo como um ataque, então estamos em uma ditadura e não nos avisaram.

Vejo a reação de incredulidade do Paulo Lázaro, colunista deste blog, um dos coordenadores do partido nos estudos relacionados à saúde e um dos fundadores do CONFIA-NOVO como um chamado de atenção para a desconstrução ideológica resultante do discurso autoritário do Diretório Nacional e no desânimo daqueles que tentam se expressar e são sumariamente calados. Por favor, não leve a mal mas a comunicação ríspida direcionada ao filiados em São Paulo tem um tom muito desagradável e é extremamente desnecessária. A autoridade é mais que um nome no papel, vem pela coerência, não pela imposição. Autoridade é respeito, e sua conquista requer o uso de palavras e atitudes mais agregadoras.

Vender sonhos é diferente de vender ilusões.

Não há nada de errado com vender sonhos, aliás, este é o papel de um partido com objetivos tão grandes quanto o de mudar o Brasil. Só não podem nos tirar os sonhos, nossas paixões. Se não estamos vendemos sonhos então, estamos vendendo ilusões.

 

*

Naomi Greice Yamaguchi é consultora intercultural e doutora em estratégia empresarial pela Université Paris X. Morou em oito países, se comunica em cinco idiomas e trabalha com adaptação cultural e formação de lideranças.

 

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Um comentário sobre “Vender sonhos é diferente de vender ilusões

  1. Naomi, excelente texto! Faço minhas suas palavras. O que está faltando ao nosso Partido Novo, pelo que vemos nas atitudes dos dirigentes de seus dois principais diretórios, é ação política interna! Oi? Um partido político que não está fazendo bem sua política interna, aparando arestas, “treinando”, se aperfeiçoando na arte da política, pode ter a competência para fazer a grande, difícil e complicada política externa? Seremos de fato capazes de lidarmos com os enormes desafios que a gestão pública e política nos colocará? Esses são meus questionamentos e como, politicamente e profissionalmente, não concordo como os diretórios estão administrando nossa primeira crise interna, ou seja, não estão fazendo política, me questiono na capacidade dessas “lideranças” em liderar, diplomaticamente, essa crise. E como sou um homem de coragem, e de atitudes, me coloco à disposição do João Amoêdo para fazer essa política, afinal, “comprei”, como todos nós, o seu grande “sonho”, que virou realidade, e não a “ilusão” de que estaríamos só “brincando” de fazer política. Conte comigo!

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