ATO IX – Liberdade: Dos Estados Nacionais à Prosperidade


ATO IX - dos Estados Nacionais à Prosperidade

Trecho do livro Pequeno Teatro da Civilização Ocidental

ATO IX – Liberdade: Dos Estados Nacionais à Prosperidade

A ruptura radicalizada da Revolução Francesa encaminhou-se rapidamente para uma ditadura jacobina com suspensão das garantias civis, terror e assassinatos. O processo da Revolução Inglesa limitou o poder do monarca e garantiu os alicerces institucionais do Estado: a liberdade comercial e científica, impostos controlados, proteção da propriedade privada e a segurança jurídica. Enquanto a ruptura francesa idealiza o conceito dos direitos universais e da liberdade dos indivíduos, são os ingleses que põem o conceito em prática. A burguesia chega ao poder e, visando a liberdade comercial, inicia um período sem precedentes de crescimento econômico e de elevação do padrão de vida das pessoas comuns. Os processos iniciados, de ruptura ou pressão, armados ou pacíficos, nos levam a transformações sociais irreversíveis.

CENA 1 : Margaret chega para trabalhar na fábrica têxtil após dois dias sem aparecer e encontra-se com Wanda, uma viúva sem filhos e Dorothy, sua vizinha.

WANDA             (Surpresa) Olha só quem voltou!

MARGARET      Olá “Fifi”! Achou que eu não viria?

WANDA             Seu marido deixou você voltar para a fábrica?

MARGARET      Richard não pode me obrigar a ficar em casa. Emma já trabalha e eu não vou ficar lá sozinha. Você sabe bem como é.

DOROTHY        Pelo menos Emma não está nas minas! Aquele lugar é horrível!

MARGARET      Verdade Dorothy. Com o salário do Richard mais o meu, ela não vai precisar trabalhar nas minas. Ele torceu o nariz mas viu que era melhor para Emma.

WANDA             Estão dizendo que você está usando roupas de algodão? É verdade?

DOROTHY        Deixa de ser fofoqueira, sua viúva ranzinza!

MARGARET      Não, tudo bem Dorothy. Eu estou usando sim Wanda, olhem (mostrando parte da roupa de baixo).

WANDA             Coisa de pobre… (desdenhando)

DOROTHY        Para Wanda! Deixa-me ver.. (observando) e é confortável?

MARGARET      É outra vida! (Aliviada!) E é muito mais barato, posso até lavar. Não preciso me preocupar se vai gastar, não vou deixar para a Emma.

DOROTHY        A minha roupa de lã (mostrando a resistência da roupa) veio de minha irmã, que herdou de nossa mãe. Ela mesma quem fez!

WANDA             Como uma mulher de verdade deve fazer!

DOROTHY        Não é muito confortável como a sua mas, como não lavamos, está durando. É grossa e esfarela, tem alguns buracos mas dá para usar.

WANDA             Seu marido concorda que você use estas vestes de pobre?

MARGARET      Com o dinheiro do meu trabalho nós comemos e me sobra algum para eu fazer o que quiser com ele. Não é da conta dele. Muito menos da sua!

WANDA             Pois eu acho de extremo mau gosto.

DOROTHY        Para você tudo é de extremo mau gosto.

WANDA             Mulher de família tem é que cuidar do lar para seu marido e da educação das crianças. Não tem que trabalhar!

DOROTHY        Daqui a pouco ela vai querer que voltemos ao campo como nossos avós, para puxar boi, dormir cheios de pragas e até passar fome de vez em quando.

MARGARET      Prefiro minha roupa de algodão barato! (Margaret e Dorothy riem)

WANDA        (resmungando) Pobreza… Deus me livre! 

 

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