Abraham Lincoln, a liberdade e os escravistas ‘democratas’


abraham lincoln

Abraham Lincoln

Por João Corrêa Neves Junior,

Eleito em 1860, Abraham Lincoln foi o primeiro presidente americano eleito pelo Partido Republicano, fundado seis anos antes por ativistas abolicionistas. Com a proposta de promover a unificação dentro de um país dividido pela questão da liberdade dos homens, Lincoln foi completamente escrachado pelo Establishment da época. Sua principal oposição encontrava-se no Partido Democrata, que fundando em 1828, possuía uma estrutura partidária e de propaganda melhor preparada para promover as campanhas oposicionistas. Os Democratas rejeitavam veementemente o fim da escravidão, pois queriam manter o regime de trabalho escravo, sobretudo para sustentar o modelo de produção das plantações dos Estados do Sul, além de manter o status quo, com as divisões de classes e divisões raciais.

A frente anti-liberdade dos Democratas atuou firmemente para impedir a eleição de Lincoln. Inicialmente, optaram pela propagação de notícias conspiratórias – como o suporte dos republicanos pela miscigenação, como se isso fosse uma ofensa – por meio dos periódicos americanos, quase todos ligados ao Partido Democrata. Logo, colocaram seus esforços nos ballots sulistas, dominados por democratas escravistas, afirmando que a eleição de Lincoln significava o fim da “propriedade privada”, uma referência aos próprios escravos. De todos os 996 condados de todo o Sul dos Estados Unidos, apenas 2 condados votaram em Lincoln. De fato, em 10 dos 15 estados sulistas, Lincoln não recebeu 1 voto que seja.

No entanto a onda de notícias falsas e conspiratórias, a difamação e os ataques pessoais, não foram o suficiente para evitar a eleição de Lincoln, que angariou suporte nos Estados do Norte, inclusive nos círculos evangélicos, para sua plataforma abolicionista. Incapazes de impedir sua vitória, os Democratas rejeitaram-no, difamaram-no, caluniaram-no. Eles simplesmente não aceitavam a perca de seu domínio hegemônico ou admitiam a agenda abolicionista proposta por Lincoln e o Partido Republicano.

Em 1861, rebelam-se contra a União e declaram a secessão dos Estados Confederados Sulistas, dando início à Guerra Civil Americana. Quatro anos de barbárie e conflitos de irmãos contra irmãos, vizinhos contra vizinhos, compatriotas contra compatriotas. Com os rios americanos avermelhados pelo sangue derramado na mais sangrenta guerra da história americana, a América da Liberdade liderada por Lincoln se sobrepõe à América dos Escravistas Democratas, agora intitulados ‘Confederados’. Porém, não sem antes deixar um rastro de mais de 620 mil mortes. Seiscentas e vinte mil vidas americanas sacrificadas para que os homens finalmente fossem livres.

Em 1864, Lincoln se reelege para presidente, e finalmente, o Bem vence o Mal, deve pensar o leitor. Mas não. Não satisfeitos com a carnificina da guerra e o banho de sangue derramado nos últimos quatro anos, os Democratas conspiram contra Lincoln. Quando a Guerra Civil desenhava o seu desfecho final, cinco dias após a rendição do exército Confederado liderado por Robert Lee, um ato covarde choca a América. Numa sexta-feira Santa, em 14 abril de 1865, enquanto atendia uma peça teatral com sua esposa, Mary Todd, Abraham Lincoln é assassinato a sangue frio (e) com um tiro na nuca. O assassino: John Wilkes Booth, um membro da classe artística americana, simpatizante dos Confederados e da causa dos Democratas Escravistas.

Quando os véus da história caem sobre o palco, precisamos unir os fatos, as evidencias e o senso comum, para compreender as lições que a história quer nos ensinar. Podemos tirar algum aprendizado do que se passou quando da luta e da morte de Lincoln, com o que se passa hoje, com os ‘democratas’ da modernidade; ou seja, os progressistas dos movimentos das esquerdas? Foi essa a pergunta de Dinesh D’Sousa, produtor e analista político indiano-americano que lançou no ultimo dia 03 de agosto, seu novo documentário, ‘Death of a Nation’, com base no seu livro de mesmo nome e que estará a venda ainda neste mês. Após pesquisar a história de Lincoln e do Partido Democrata, realizar dezenas de entrevistas com historiadores e analistas de ambos os lados do espectro, D’Sousa coloca em xeque toda a narrativa do Partido Democrata e da própria esquerda americana, uma crítica que se extrapola também para as esquerdas brasileiras.

Nessa analogia entre os escravistas Democratas do século XIX e os escravistas ‘Democratas’ modernos – que hoje querem o homem submissos ao próprio Estado – percebe-se os seguintes paralelos: não admitem a liberdade dos homens; não admitem a perca de sua hegemonia política; estão dispostos a qualquer via para derrubar seus adversários, seja a calunia, a difamação, “fake news”, ataques pessoais; consideram-se moralmente superiores; usam o voto como ferramenta de prostituição da democracia; desdenha pela República e pelo Estado de Direito; por verem o homem como uma propriedade do Estado, estão dispostos a declarar guerra contra os que consideram seus inimigos e derramar o sangue de milhões de pessoas em nome da defesa da submissão do homem à uma instituição superior, acorrentando-o; apunhalam covardemente pelas costas os vencedores. Por fim, quando a verdade lhes bate na face dos dois lados, sobra-lhes fazerem o que sempre fazem quando seu ciclo de fracasso e de miséria chega ao fim: reinventar-se, reescrever a história, corromper os fatos – ler George Orwell, 1984 – e começar tudo de novo.

Não pensem, meus amigos, que desta vez será diferente.

João Corrêa Neves Junior é defensor da liberdade e do “rule of law”. É conservador iluminista, influenciado pelo liberalismo clássico e pelo libertarianismo. Reside no Reino Unido, atua na área administrativa no mercado formal e é mestrando na área de História pela Universidade Nova de Lisboa.

Fonte: ocongressista.com

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