Tragédias anunciadas


Moradores pagavem entre 400 e 150 reais. Ultimo Segundo IG. Reprodução Rede Globo

Moradores pagavam entre 400 e 150 reais. Fonte: Ultimo Segundo IG. Reprodução Rede Globo

 

Por José Luiz Miranda (Pré-candidato a Dep. Estadual – NOVO),

É lamentável assistir a cobertura que grande parte da imprensa, notadamente e como não podia deixar de ser, a Rede Globo, faz do acontecido.

O tratamento dado ao evento é irritantemente superficial, enviesado e omisso. É notável o esforço que se faz para evidenciar as “vítimas” e o “auxílio” a elas e evitar uma investigação e análise mais profundas e realistas da situação. Porém, por ser inevitável que a realidade por trás do sensacionalismo e “coitadismo” apareça, é fácil ao espectador mais atento pinçar aqui e ali algumas peças do quebra cabeças maior que é o pano de fundo para tragédias desse tipo: anunciadas e, arrisco dizer, até mesmo planejadas e desejadas por alguns.

Primeiro, trata-se de uma invasão ilegal, fato cinicamente omitido pela imprensa e tolerado pelas autoridades. Em entrevista à TV Bandeirantes, um oficial do Corpo de Bombeiros declara o que se sabe, mas não se fala: que essas invasões são incentivadas e patrocinadas por “movimentos sociais”. O prefeito Bruno Covas declara que “há mais de 100 prédios invadidos na cidade de São Paulo, mas que não pode obrigar os invasores a sair”.

Uma “moradora” do prédio invadido, em resposta à uma pergunta do tipo “E agora que você perdeu sua casa, o que vai fazer?” declara à repórter da Globo: “Não, minha casa está lá (sic), a gente estava aqui porque estamos procurando emprego…” e que “A gente pagava R$400,00 por mês para morar aqui pro “cara” que coordena aí.” Já outra, declara que não quer ir para o albergue porque não é moradora de rua e que vai ficar ali (na rua) “até que alguém faça alguma coisa”. Outra ainda declara que as divisórias que separavam as famílias eram de madeira e que a energia vinha de gambiarras, inclusive puxadas dos semáforos na rua. O tal “coordenador” impunha um “toque de recolher” no prédio, cerceando, inclusive, o direito de ir e vir dos moradores. Do lado de fora, numa foto anterior ao incêndio, uma cartaz na fachada do prédio alerta: MLSM.

Por que os repórteres evitam descaradamente as perguntas que importam? Por que as autoridades se omitem? Se a tal “vitima” tem uma casa, por que estava morando ali e pagando R$400,00 para um “movimento social”? O que se ganha com isso? Quem ganha? Será que nem os legítimos donos, nem a Prefeitura, que não pode pedir reintegração de posse dos imóveis invadidos por não ser a legítima proprietária, podem fazer algo a respeito? Será que quem paga R$400,00/mês para o tal “coordenador” para morar em um cortiço sem as mínimas condições, não consegue pagar os mesmos R$400,00 para viver em uma moradia digna? Quem é o tal “coordenador” e para quem trabalha?

Quem são os “movimentos sociais” que “cuidam” do menos favorecidos, idosos, mulheres e crianças, colocando-os nessa situação de morar no lixo, com a vida por um fio e cobrando por isso? Como se estabelece no meio da sociedade uma autoridade paralela, controlando pessoas ao arrepio da lei e dos direitos individuais? E porque essas pessoas se sujeitam a isso, se têm outros meios, outras opções? Porque se contentam em esperar que alguém faça algo por eles, ao invés de fazerem algo eles mesmos?

Até quando vamos fingir que esses tais “movimentos sociais” não são responsáveis por essas tragédias e não devem ser processados e exemplarmente punidos pelas desgraças que causam e das quais se alimentam? Até quando vamos nos preocupar em “cuidar das vítimas” em vez de evitar que se tornem vítimas? Quando vamos mostrar claramente aos menos favorecidos que há um outro caminho além de viver da promessa de que um dia alguém cuide deles?

Aquelas não são vítimas de um incêndio. São vítimas de uma guerra cruel e silenciosa que se trava na nossa sociedade. Uma guerra por corações e mentes. Aquelas são vítimas dos que se alimentam da pobreza e da desgraça e que com promessas utópicas dominam mentes vazias e sem rumo.

O Brasil precisa urgentemente de mudanças. Outubro vem aí

 

José Luiz Miranda é executivo nas áreas de TI e Telecomunicações, pós-graduado em Gestão Estratégica de Operações pela FGV e MBA pela Trevisan Business School. Ativista e Liberal, é pré-candidato a Deputado Estadual por São Paulo, pelo partido NOVO.

 

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