Memes indomáveis


Fernando Haddad - Gostei vou fazer uma ciclovia

Uma das grandes graças da Internet é o poder irresistível e avassalador dos Memes. São imagens, gifs animados ou vídeos criados de forma a fazer humor, criticar ou enaltecer um fato, uma personalidade ou ocasião.

O seu poder deriva, sem qualquer dúvida, da liberdade irrestrita e soberana de que desfruta a Internet no Brasil. Aliado a isto, o humor inato do povo brasileiro, impingido por décadas na prática de auto-escárnio, diariamente veiculado pelas detentoras do “monopólio” televisivo. Quem nunca assistiu a um episódio de a Escolinha do Professor Raimundo?

Armando Volta: "Comprei aqui um presentinho..."

Armando Volta, subornando o professor: “Comprei aqui um presentinho…”

Se há um lado positivo – e sempre há um lado positivo – é a capacidade tupiniquim de se reinventar das cinzas, de superar os momentos mais traumáticos e, por assim dizer, de rir da própria degradação. Quem é capaz de rir de si mesmo é uma pessoa mais bem  resolvida e mais propensa a superar os proprios problemas.

O Brasil possui o sistema bancário mais desenvolvido do planeta. Não por ter mais bancos, ter mais benefícios fiscais ou ser mais rico que os demais países mas, por ter uma história fantástica de superação de problemas econômicos dificílimos. Com o nosso humor dá-se o mesmo processo. Nossas dificuldades e desarranjos são fontes inesgotáveis de aperfeiçoamento, obstáculos e superação.

O poder da Internet deriva completamente de sua liberdade. O diálogo (ou monólogo) feito sem a interferência de intermediários, representados pelo oligopólio midiático internacional e seus interesses, só existe na realidade da desregulamentação total e prática. Não confundir com falta de leis e inimputabilidade. Crimes continuarão a serem praticados e, acompanhando a evolução social da rede de computadores, tipificados e penalizados.

Muitos atribuem ao poder da Internet vários movimentos populares recentes, especialmente em países com estrito controle da mídia tradicional. O surgimento de demandas populares ou até o ressurgimento do conservadorismo nos países ocidentais, mesmo que por conta de motivos diferentes, dá a clara noção da força e da velocidade da informação digital.

A indomabilidade da Internet faz surgirem tentativas de regulação e até mesmo de censurar a Internet, utilizando-se para tal, dos motivos mais variados. Uma tentativa malversada foi recentemente rechaçada pelo parlamento europeu, por pequena margem de votos.

“Os danos que podem ser provocados à internet livre e aberta como conhecemos são difíceis de serem previstos, mas em nossa opinião eles serão substanciais”, alertava a carta. “Por requerer que as plataformas de internet façam filtros automáticos em todo o conteúdo de seus usuários, o artigo 13 dá passos sem precedentes em direção à transformação da internet de uma plataforma aberta para compartilhamento e inovação em uma ferramenta para a vigilância e controle automático de seus usuários”.

Carta assinada por Vint Cerf, considerado um dos “pais” da internet; Tim Beners-Lee, criador da World Wide Web; e Jimmy Wales, cofundador da Wikipédia.

É imprescindível manter a Internet como um ente livre, onde a liberdade de expressão é sagrada, as opiniões se confrontam e a informação flui. O monopólio da palavra e da circulação de idéias, há tanto tempo nas mãos de alguns poucos e bem financiados grupos, é o maior perigo perante o interesse popular.

Quando Mark Zuckemberg prometeu fazer o melhor para garantir a lisura das eleições em países como o Brasil, ele não estava se referindo ao melhor para os brasileiros, mas para sua própria empresa. Desde então, páginas extremamente populares mas que apoiam candidatos não alinhados com a esquerda ideológica (ou de causas progressistas), são constantemente derrubadas. Outras gigantes da Internet, assemelhadamente progressistas, prejudicam atividades adversárias ao desmonetizar, por exemplo, canais de vídeos direitistas.

Manter a liberdade de expressão a todo custo tem seus revesses, imensamente superados por suas benesses. O humor e seus Memes são um dos seus termômetros mais assertivos e o brasileiro é mundialmente conhecido por ser insuperável em criticar, apoiar e se fazer expressar através deles. Sites humorísticos como o Dir-W e tantos outros no Facebook, devem ser vistos e lidos não como simples fontes de entretenimento, mas como sérios difusores das ideias e dos  sentimentos populares mais verdadeiros.

 

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