A saúde das pessoas não tem cor


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Por Paulo Lázaro,

Ontem foi o Dia Nacional de Mobilização Pró Saúde da População Negra e o Ministério da Saúde promove um curso que tem o seguinte escopo:

“Os alunos interessados aprenderão mais sobre como identificar a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) no SUS, as diferenças referentes à saúde da população negra por meio dos dados epidemiológicos, abordando o racismo institucional em todas as suas dimensões e aplicar as estratégias da comunicação culturalmente efetiva no encontro com pacientes, famílias e comunidades negras.”

Sabidamente em medicina, populações étnicas diferentes podem ser acometidas por doenças específicas. Aprendemos na faculdade que negros têm mais chance de ter anemia falciforme, orientais têm mais chance de tumores de estômago e brancos têm mais chance de tumor de pele.

O mesmo vale para populações que moram ao nível do mar, em grandes altitudes, que consomem certos alimentos, que se expõe a radiação, que trabalham na lavoura, em frente ao computador, ou com hábitos de vida semelhantes.

Para todos esses indivíduos fazemos uma avaliação chamada Anamnese, do grego ana, trazer de novo e mnesis, memória. Ela é universal, é o mecanismo que usamos para em uma conversa conhecer todos os pontos que serão importantes para realizar o diagnóstico do que aflige o paciente.

O curso do Ministério da Saúde, que aborda o racismo “institucional” em todas as suas dimensões e “ensina” a aplicar estratégias de comunicação “culturalmente efetiva para negros”, só reforça a falsa impressão que vivemos sob a égide de um apartheid velado.

No país com uma das maiores taxas de miscigenação do mundo, caímos diariamente no conto da dívida histórica que temos uns com os outros, sem perceber o seu uso político.

Meus filhos, de descendência negra, índia e nordestina, não são produto de um sistema opressor, mas das oportunidades que recebem diariamente.

É inegável que ainda existe um abismo cultural e financeiro no Brasil que a fecha as portas para a ascendência social. É antes um produto da nossa péssima qualidade do ensino básico do que histórica, propriamente dita.

Que tal promover a saúde onde grassa a doença e trabalhar para acabar com os reais fatores de ausência de oportunidades para as pessoas?

*
Paulo Lázaro de Moraes é médico formado pela PUC-Campinas, Doutor pela Universidade Federal de São Paulo. Dedica-se a estudos na área de oncologia / radioterapia e de saúde pública.

 

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3 comentários sobre “A saúde das pessoas não tem cor

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