Cura gay à luz do livre mercado (leia a bula)


Despistando as ruidosas matérias que enevoam com seus desfavores o céu LIBERAL que desponta no horizonte brasileiro (vide a VEJA desta semana), é possível sim encontrar bons e inesperados achados na peneirada diária deste incansável editor.

O achado de hoje é o blog O Gay Liberal. Por sí só, como afirma o autor do mesmo, uma contradição, considerando os estereótipos sociais estabelecidos a cerca dos indivíduos que estimam pessoas do mesmo sexo e não são a favor da sigla LGBT.

Parafraseando o próprio – “O conceito “Gay Liberal” é a afirmação do indivíduo homoafetivo como detentor do seu modo de viver sem a necessidade de aderir bandeiras e sua busca incansável por excessivos privilégios desconexos, é não dever sua existência ao coletivismo encabeçado por parasitários e afins a fim de por às margens da coerência gays e bissexuais, vitimizando-os.” Leia mais sobre ele e bom texto:

cura-gay-livre-mercado

Por Gay Liberal,

No município de Chongqing, China, a clínica Xinyu Piaoxiang promete um método de conversão hétero via choques 〈confira〉. No país asiático, a homossexualidade é legal desde 1997 e foi removida da classificação chinesa de transtornos mentais em 2001. No estado de Nova Jersey, EUA, a organização Jonah – Judeus que Oferecem Novas Alternativas de Cura – que oferecia terapias nada convencionais para “reverter” a homossexualidade foi obrigada a fechar as portas em dezembro de 2015 pela justiça estadunidense por violar uma lei estadual anti-fraude. A instituição religiosa abriu as portas no Estado de Israel no início de 2016 e opera por lá normalmente 〈confira〉. Em ambos os países, ser homossexual é tido como legal. Em terras israelenses, a homossexualidade era descriminalizada em 1988. Já no país norte-americano, a Associação Americana de Psiquiatria retirou a orientação sexual em tese da lista de transtornos psíquicos na década de 70.

Diferente ao que acontecia na Alemanha Nazista a partir da década de 30 em que homossexuais do sexo masculino eram obrigados a copular com prostituas, submetidos a tratamentos hormonais ou castrados para não mais sentirem prazer e bem diferente da tentativa da Inglaterra de curar gays também via castração química e injeções hormonais – como aconteceu com o matemático Alan Turing nos anos 50 –, gays de Israel, China e Estados Unidos tiveram/ têm a opção de iniciarem um tratamento a fim de reverter o desejo por alguém do mesmo sexo. Aderiram ao serviço de modo consciente em vista de ignorar a libido que os acompanham e isto é aceitável num ambiente em que indivíduos realizam trocas livres e voluntárias, isto é, no livre mercado.

Um dos nomes fortes do libertarianismo moderno, Murray Rothbard define a sociedade de livre mercado como “[…] um arranjo de trocas que ocorrem na sociedade. Cada troca acontece como um acordo voluntário entre duas pessoas ou entre grupos de pessoas representados por agentes. Esses dois indivíduos (ou agentes) trocam dois bens econômicos, tanto commodities tangíveis quanto serviços não-tangíveis”. Assim, a oferta da Jonah e da Xinyu Piaoxiang só estão disponíveis devido a demanda de indivíduos que creem numa cura para a orientação homo, por sua vez, justificadas por eles como fruto de erotização precoce, abusos na infância, ausência de figura paterna, “n” motivos. Como acredita o movimento brasileiro Luz na Noite e a Escola de Sexualidade e Restauração, a homossexualidade é conduta que pode ser desaprendida à luz da religiosidade. E, para eles, o “desaprender” é possível via trocas não coercitivas com interessados na oferta; utilizam seminários, workshop’s, congressos, palestras e outros recursos país afora em vista de atrair seu público-alvo.

No Brasil, é negada a liberdade de inibir ou se livrar da orientação homo pelas vias legais, mas já houve tentativas de mudar isso. O Projeto de Decreto Legislativo 234/2011 protocolado pelo deputado federal João Campos (PSDB-GO) foi apelidado de modo jocoso por ativistas LGBT’s de “cura gay”. Contudo, o termo “cura” foi utilizado no art. 3º da Resolução 001/99 do Conselho Federal de Psicologia (CFP) brasileiro a fim de desconsiderar a autonomia de profissionais e estudiosos do comportamento humano privando-os de sequer pronunciar sobre o assunto que, por sinal, constantemente vem sendo alvo de estudos no campo da ciência.

O PDL foi a resposta de Campos para a cassação de psicólogos por conselhos regionais quando estes promoviam terapias para a tratar da homossexualidade ou mesmo apontar esta orientação sexual como doença. O projeto foi votado em 2011 pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados com 10 votos a favor contra 2. Na contramão, em julho/2012, o Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro negou o pedido do Ministério Público Federal (MPF) de anular parcialmente as normas de atuação propostas pelo CFP por este não permitir o livre exercício da profissão e privar os que não se sentem à vontade com a própria orientação. Sem acordo, o TRF decidiu que ainda cabe ao conselho em tese regrar a atuação dos profissionais da área (confira a decisão do TRF-RJ aqui).

Após todo o burburinho, mais tarde, em 2013, o próprio autor da proposta arquivou-a contrariando parlamentares mais conservadores. Mas a polêmica retornou a CDHM em junho/2015 numa audiência pública com o intuito de ouvir depoimentos de indivíduos que se consideram ex-gays. Comentários de deputados progressistas sugeriram que o evento seria uma tentativa da oposição trazer à tona o PDL 234/2011. Contudo, até então, não se falou mais em revogar as normas do CFP.

Mesmo contrário ao pensamento da homossexualidade como passível de tratamento, como liberal, consigo julgar a atitude de um órgão que regula as atividades dos profissionais do comportamento humano como arbitrária por não considerar que há, sim, uma parcela de indivíduos que não se sentem à vontade com sua orientação sexual. Afinal, se há um incentivo do governo, mídia e diversos outros setores pró-aceitação da homo/ bissexualidade e identidade de gênero não correspondentes às características biológicas, por que não considerar o trabalho de profissionais da saúde mental que veem uma anomalia no ser gay e, também nesse sentido, privar indivíduos de buscar tratamento que interessam em sua “conversões”? No entanto, trazer métodos de “conversão” para a área pública estaria sobrecarregando a saúde estatal já defasada. Há de se pensar numa maneira de atender essa demanda que querem entrar para a estatística de ex-gays. Felizmente, a saída está no livre mercado.

Fonte: ogayliberalblog.wordpress.com

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