O futuro do Novo


Coluna do Filiado - Voz do Partido NOVO

Por Cauê Bocchi (Novo-SP),

O Partido NOVO foi criado há pouco mais de um ano, não utiliza o fundo partidário, não fez coligações para as eleições de 2016 e, mesmo assim, conseguiu eleger quatro vereadores nas cinco capitais em que concorreu: somente Curitiba não teve vereadores do NOVO eleitos; por outro lado, o Rio de Janeiro ficou muito perto de ter dois vereadores eleitos. Em São Paulo, por exemplo, os votos na legenda ou nos candidatos do NOVO foi superior a partidos tradicionais como PP, PPS, PC do B e PSC. A REDE, outro partido de história recente, mas que carrega o peso de uma figura política como Marina Silva, não elegeu um único vereador na capital paulista, e teve apenas um terço dos votos do NOVO.

Em resumo, o NOVO renunciou todas as variáveis políticas que costumam definir o sucesso de um partido, e mesmo assim teve um desempenho admirável. Na ausência dessas variáveis, o desempenho notável do NOVO é devido a dois fatores: em primeiro lugar, o eleitor começou a entender que as pautas ligadas ao liberalismo econômico fazem sentido e – mais do que isso – são urgentemente necessárias; em segundo lugar, o discurso de o NOVO ser um partido formado por quem nunca foi político ajudou muito, e claro que os recentes escândalos envolvendo especialmente o PT e o consequente descrédito que isso gerou em toda a classe política – que nunca foi tida em alta conta pela sociedade – tiveram um peso enorme (aliás, essa foi a estratégia usada com muito sucesso pelo prefeito eleito de São Paulo, João Dória).

A pergunta que agora precisa ser respondida é: como o NOVO vai crescer e ter resultados expressivos em 2018, 2020, etc.? O NOVO agora de fato faz parte da cena política brasileira, e será tratado com mais atenção pelos demais partidos. Conforme se disse acima, o NOVO deveu seu sucesso à popularização, ainda que modesta, da pauta do liberalismo econômico, e ao fato do partido não ser formado por políticos. O segundo fator já não poderá ser usado de forma tão contundente a partir de agora, e o primeiro fator isolado talvez não tenha o apelo necessário para que o NOVO conquiste resultados expressivos nas eleições de maior porte. A solução talvez esteja, então, na pauta que sempre foi tratada com muito receio pelo NOVO: a pauta social.

A pauta social, para os propósitos deste artigo, faz referência a questões como casamento homossexual, legalização das drogas, aborto e temas correlatos. Esses são assuntos polêmicos, e mesmo aqueles que partilham do pressuposto do liberalismo econômico têm opiniões divergentes sobre esses assuntos. Mais do que um problema, contudo, esses temas espinhosos podem ser a solução para que o NOVO se transforme em pouco tempo em uma força política de primeira grandeza. E como fazer isso? Com a adoção de uma agenda assumidamente fusionista do ponto de vista social.

Isto significa que, mais do que se posicionar especificamente sobre cada um dos temas sociais, o NOVO deve criar condições para que correntes divergentes sobre esses temas tenham lugar no partido. É importante notar, nesse sentido, que a postura aqui é totalmente diferente da atual: hoje esses assuntos não são abordados, e a partir de agora eles devem ser tratados livremente entre os seus membros, e a divergência (inclusive externa) deverá ser permitida. Isso quer dizer que o NOVO deve ser visto como um partido aberto tanto para aqueles que, do ponto de vista social, se considerem liberais quanto para aqueles que se considerem conservadores. Simplificando o discurso: o NOVO deve ser capaz de colocar lado a lado um membro da TFP e um indivíduo homossexual, ou então um cidadão evangélico que vai ao culto todos os dias e outro usuário de drogas e ateu.

A proposta aqui não é agradar a gregos e troianos, e muito menos fazer do NOVO um partido fisiológico: é bastante óbvio que um membro da Opus Dei que faça parte do NOVO não vai ser um grande amigo do membro do NOVO que participe da Marcha da Maconha. Da mesma forma, a proposta não é que o NOVO se posicione conforme o ritmo da maré política brasileira. Na verdade, a grande “cola” unificadora do NOVO deve ser justamente a pauta do liberalismo econômico.

Se o NOVO tivesse uma lei, essa lei deveria ter um único artigo: a de se exigir que todos os membros tenham uma posição absolutamente consensual na luta por um governo menor e mais eficiente, o que significa, em suma, uma postura política favorável à medidas como privatizações, diminuição de impostos, etc. O liberalismo econômico, portanto, se não serve como bandeira por si só suficiente para conquistar o grande eleitorado, deve servir o ponto de intersecção de todos aqueles que lutam por bandeiras sociais variadas, por vezes divergentes, mas ao mesmo tempo capazes de conferir maior capilaridade ao partido.

Nesse sentido, é importante que o NOVO tenha no seu quadro, por exemplo, um pastor capaz de captar o eleitor evangélico, desde que esse pastor concorde que a luta prioritária do NOVO é pelo liberalismo econômico; é importante, do mesmo modo, que o NOVO tenha um membro influente da comunidade LGBT que seja capaz de conquistar eleitores que se identifiquem com essa causa, desde que, mais uma vez, esse público reconheça que a primeira luta do NOVO é pelo liberalismo econômico.

As correntes divergentes que farão parte do NOVO terão força e influência variada, e é isso que determinará a posição do partido nas questões sociais. Nas questões econômicas, repita-se, o NOVO deve ser absolutamente intransigente, e o posicionamento do partido deve ser respeitado por cem por cento dos filiados. São as questões econômicas que conferem o lastro necessário ao NOVO, e são elas que devem servir como ponto de unificação nas divergências que serão geradas na agenda social. É por essa razão, inclusive, que o NOVO jamais poderá ser acusado de ser um partido fisiologista.

A identificação do protagonismo da agenda econômica não deriva de um suposto desprezo pela agenda social. Na verdade, o que se quer dizer aqui é que o grande e verdadeiro inimigo do Brasil ainda é a visão política que prega um governo grande, burocrático e ineficiente, e que traveste essa visão com uma suposta preocupação com os mais pobres. Apesar da grande derrota do PT nas últimas eleições e do desempenho modesto dos partidos considerados mais à esquerda no espectro político brasileiro, essa visão política ainda é muito presente no Brasil, e é essa visão que deve ser combatida com todas as forças possíveis, inclusive entre aquelas não tão simpáticas entre si. Quem discordar desse diagnóstico não deverá ter lugar no NOVO. O NOVO, nesse sentido, será tanto mais forte nessa luta quanto mais segmentos da sociedade concordarem com essa visão de mundo e encontrarem no NOVO um abrigo seguro para travar essa luta.

A proposta aqui não é uma paz perpétua entre conservadores e liberais, mas somente um armistício até que a visão do governo grande e ineficiente seja de uma vez por todas combatida. Até Estados Unidos e União Soviética tiveram que se unir para combater o nazismo, e se aliar com àqueles que você eventualmente discorda não significa algo necessariamente ruim: em alguns casos, é somente reflexo de inteligência e pragmatismo, atributos sem os quais não se faz política nem no Brasil nem em qualquer lugar do mundo. Mais do que isso, essa união desagradável pode ser o único meio disponível para que outros anseios sejam atendidos, inclusive aqueles que são diametralmente opostos aos anseios de quem é tratado como aliado no primeiro momento.

O sucesso dessa união eventualmente desagradável será medido pelo tempo necessário para que ela naturalmente se desfaça: quando isso ocorrer, será sinal de que o liberalismo econômico conseguiu se estabelecer como pressuposto político para a grande maioria da população, e liberais e conservadores poderão desatar o laço que os uniam e guerrearem livremente entre si, mas dessa vez de maneira produtiva.

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