Um capeta para cada ocasião


Luiz Aguilar Partido NOVO-SP

 

Que vaia, senhor presidente! Maracanã lotado, festa de abertura dos jogos paraolímpicos, cada vez que alguém se referia ao governo, em qualquer das três esferas, lá vinham os apupos nem sempre corteses. Vaias olímpicas, novo esporte nacional. Cada brasileiro na plateia traz a tiracolo seu capeta preferido para vaiar. Em nossos governos, nesses tempos de Brasil grande, capetas é que não faltam, existe um para cada ocasião. Observando sob um outro ponto de vista, já percebemos um avanço em relação a Copa de 2014: na paraolimpíada pelo menos ouviram-se apenas um sonoro “uuuuu”, e não aquelas trovinhas sugestivas para a então presidente, agora ex. Talvez o público do futebol seja menos polido do que o da olimpíada, mas o resultado é o mesmo.

Forçoso reconhecer um traço dos mais importantes no governo que ora se inicia, parido no fórceps do impeachment e não por vias naturais. O presidente não parece preocupado em ser popular. Sempre bem vestido e escovado, não foge à luta nem larga aquele jeitão de mordomo de filme de vampiro. Ao lado de certos ministros esta imagem fica bem adequada.

Considerando os últimos tempos no Brasil, alguns presidentes insistiram em manter sua popularidade, em lugar de fazer o que era necessário. É como aquele papai, que enche o filho de doces logo antes do jantar. E que, no dia seguinte, continua comprando doces e fazendo passeios cada vez mais caros, mesmo com a fatura do cartão de crédito acumulando a juros brasileiros. Pior ainda, um governo que dá mimos para os mais necessitados e esbanja com os mais ricos pode até sair de cena com alta popularidade, para o azar dos cidadãos que são sempre chamados a pagar a conta. Ter um cartão de bolsa família ajuda quem realmente precisa, e abre caminho para uma população de não-necessitados ganhar um extra. Mas nada se compara ao cartão BNDES, mesmo sendo para poucos, o estrago está lá em forma de dívida e será pago por diversas gerações de brasileiros. A bolsa BNDES, dotada para os ricos e poderosos, ajuda quem não necessita e custa 10 vezes mais do que a sua irmã menor, a bolsa família. Que tal mais uma usina? E um novo projeto de mineração? Vamos fazer outra refinaria? O resultado são empresas quebradas e dinheiro público jogado fora. Cada vez que o ministro começa a falar em garantir emprego e renda com medidas anticíclicas, pode ter certeza: haverá recessão, desemprego e dívidas impagáveis logo adiante.

Se houve pedaladas, ou se as contas foram maquiadas para enganar os cidadãos brasileiros, isso fica a cargo da justiça. A ferramenta do impeachment está aí para lembrar ao governante que ele é servidor do povo, e não o contrário. O problema é acreditar que as políticas populistas poderiam finalmente trazer bem estar duradouro para os brasileiros, é insistir que o governo tem que gastar mais no momento de crise, quando a realidade mostra que cada vez que isto acontece a crise só se agrava. É como tentar recuperar uma pessoa com anemia através de uma transfusão de sangue, mas o doador é o próprio anêmico. Apesar da realidade dos fatos e dos 12 milhões de desempregados, ainda se ouvem muitas vozes clamando por mais gastos governamentais, quando o remédio é justamente o oposto. O dinheiro público é o furto do esforço de todos os brasileiros, demanda mais respeito de quem o administra.

Portanto, senhor presidente, não se iluda e nem ligue para as vaias. Faça o que for necessário para recuperar nossa economia, nossos empregos e levar o Brasil de volta ao caminho do desenvolvimento. As vaias são só isso, vaias sem qualquer consequência. Sua popularidade é menos importante do que a saúde financeira das famílias brasileiras. A história o justificará, e relegará aos populistas os piores lugares na memória do povo.

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Luiz V.V. Aguilar é engenheiro com MBA pela Fundação Dom Cabral, especialista em comércio internacional. Seus 15 anos como expatriado lhe conferem uma visão de economia e geopolítica a luz das liberdades individuais. É filiado NOVO de primeiro dia, membro do CONFIA-NOVO e candidato à vereador em São Paulo (30147).

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