Medalhas de Chumbo


Luiz Aguilar Partido NOVO-SP

 

Os australianos chegaram! Primeira delegação de peso a desembarcar no Rio para as Olimpíadas. Foram direto para seus aposentos, um conjunto de edifícios com apartamentos preparados para todos os atletas que quisessem lá se hospedar. O site oficial das olimpíadas informa que são 31 edifícios e 3.604 apartamentos de 2, 3 e 4 quartos, ao custo total de 3,488 bilhões de reais, financiados pela Caixa Econômica Federal. Conta rápida, custo médio de 968 mil reais por unidade. Nada mal, em tempos que falta financiamento para nós mortais que se aventuram a comprar imóveis no Brasil. A vila foi projetada para acomodar todos os 18 mil atletas e suas equipes, mas alguns preferiram ficar nos navios de cruzeiro fundeados na baía da Guanabara.

No caso dos australianos, chegaram e já começam os embaraços. Na Vila Olímpica faltou de tudo, inclusive água e acabamentos em diversas unidades. Um jornal daquele país, na falta de notícia melhor, informou que se trata de proporcionar uma experiência bem brasileira de residir em favelas onde água, esgoto e paredes são opcionais. Para completar o vexame, lá vem o prefeito carioca prometer que daria até cangurus para a delegação da Austrália sentir-se em casa. É o mesmo que dar bananas para agradar brasileiros no exterior, estereótipo na veia. Indignados, os aussies retiraram-se para um hotel até que a situação fosse normalizada. Incrível como ainda havia hotéis disponíveis em tempos olímpicos. Depois de tudo, uma equipe da Austrália foi pega forjando credenciais para assistir aos jogos de basquete. Mero detalhe, mas que deixa aquele sentimento de vingança boba, afinal os australianos não mereceriam melhor tratamento hospitaleiro de nossa parte. Os primeiros a reclamar foram os primeiros em má educação.

Os brios dos cariocas foram a teste nos comentários de um jornal britânico sobre o biscoito Globo, onde “os dentes fazem uma festa na qual a língua não foi convidada”.  O tal biscoito é ruim mesmo, casquinha crocante com recheio de vento, mas qual carioca da gema não carrega boas lembranças da infância na praia apreciando a iguaria?  E afinal, quem são esses ingleses a criticar a comida dos outros? Para quem gosta de kidney pae, ou torta de rim, um biscoito Globo chega a ser bem temperado, com os ventos do Atlântico sul.

O ápice do sentimento de vira-latas veio na malfadada estória do nadador americano que mentiu sobre um assalto. Parece que ele estava frustrado em sua expectativa de encontrar no Rio assaltantes por toda parte, nem ter sido realmente vítima de qualquer violência na sua passagem pelo Brasil. Tá vendo, Maria Clara, o Rio é um lugar seguro para os estrangeiros. Essa é a mensagem que fica. Já está dando pena do menino mentiroso, perdeu todos seus patrocínios milionários e passou pela humilhação pública em seu próprio país.

Foram duas semanas de festa, eventos e medalhas, ganhas e perdidas. Abertura deslumbrante, fechamento festivo, entre mortos e feridos salvaram-se todos. Dos três episódios em evidência, todos foram de uma forma ou de outra justificados, e a honra da pátria amada idolatrada está salva! Passadas as olimpíadas, voltemos ao nosso país, onde falta esgoto para mais da metade dos brasileiros, um investimento barato comparado com os ganhos de saúde e qualidade de vida para todos, caso esgotos existissem. Saneamento básico nem faz parte de promessas de campanha eleitoral, daquelas que não são cumpridas, mas pelo menos ficam no imaginário popular, um dia acontecem. Passada a festa, sobra o tal de legado, como se fosse uma palavra mágica que não trouxesse junto suas contas a pagar. Glórias e elogios do Comitê Olímpico Internacional e a sensação de que nós brasileiros fizemos a nossa parte com cenário e batuques para divertir gringos, enquanto pagamos a conta da festa para a qual não fomos convidados.

No país de verdade, o presidente é interino, mas as contas são de fato. Vem aí os últimos metros da maratona do impeachment, onde mais uma vez ganhamos a medalha de chumbo e nossos políticos aparecem em último lugar. Hora de mudar. É tempo de escolher o caminho da Liberdade.

*
Luiz V.V. Aguilar é engenheiro com MBA pela Fundação Dom Cabral, especialista em comércio internacional. Seus 15 anos como expatriado lhe conferem uma visão de economia e geopolítica a luz das liberdades individuais. É filiado NOVO de primeiro dia, membro do CONFIA-NOVO e candidato à vereador em São Paulo.

 

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