Olimpíadas


Luiz Aguilar Partido NOVO-SP

 

Como foi linda a abertura da olimpíada no Rio de Janeiro. Uma festa feita por pessoas acostumadas todos os anos a organizar e preparar o maior espetáculo da terra. As alegorias, montagens e enredos contaram uma estória, desta vez não linear como na Sapucaí, mas espalhada pelo plano aberto em um jardim de Burle Marx. Lembrou um pouco aqueles filmes dos anos 70, onde a gente tinha obrigação de assistir cinema com senso crítico do filme-denúncia, e não apenas pelo prazer de ver uma fita. Este detalhe passa ao largo da beleza do espetáculo, as coreografias encantadoras e os sambistas animando cada delegação durante o desfile. Uma festa.

Interessante notar como diversos comentaristas enfatizaram o fato de que nossa abertura custou meros 10% do que a de Londres. Claro, é impossível não comparar a nossa com a última abertura de olimpíada, assim como esta será a referência da próxima. Considerando o fato de que os pagantes não são os mesmos em Londres e no Rio, esses 10% são apenas mais um número para enfeitar o imaginário de quem invariavelmente vai pagar a conta. A conta já está sendo paga.

Ao custo estimado em 29 bilhões de reais para realização da olimpíada, devemos somar outros 3 bilhões em renúncia fiscal em sua realização, segundo a Associação Nacional dos Auditores Fiscais. Somado, é mais do que um bolsa família por ano, mas é pouco comparado ao valor da bolsa empresário que foi doada pelo governo da dupla Dilma e Mantega para, nas palavras da presidente afastada, garantir emprego e renda. Como resultado, estamos desempregados e sem renda, e ainda com a conta olímpica espetada, esperando cobrança.

Na outra ponta, o Rio de janeiro continua ainda mais lindo. Revitalização da zona portuária, a magnífica igreja Candelária olhando novamente para o mar, como que retomando seus direitos.  Novidades como o BRT e o VLT, levando civilizadamente passageiros de uma parte a outra. O carioca volta a se orgulhar debochadamente da cidade. Sabemos que os hospitais não atendem a população, e que as escolas públicas estão à míngua, e segurança no Rio passa necessariamente pelos poderes no alto do morro, mas isto são apenas os detalhes chatos comparados com a festa e a beleza retomada.

A esta altura nós brasileiros estamos ainda esperando o futebol acordar, e contando as medalhas do judô e da natação que não vieram. A piscina com água verde é mero detalhe. Queremos nos orgulhar de nosso país e motivos não faltam. A olimpíada vai passar, daqui a pouco a festa acaba e vamos curtir a ressaca. Voltaremos ao normal, com a costumeira violência urbana, a poluição na baía da Guanabara e as escolas mal geridas. Afinal, a festa de abertura representou apenas um cenário de novela do país que somos. Quando teremos este país de verdade? Melhor do que medalhas, vamos ganhar a confiança de que, mesmo com recursos limitados podemos construir um Brasil melhor. Ao trabalho.

*
Luiz V.V. Aguilar é engenheiro com MBA pela Fundação Dom Cabral, especialista em comércio internacional. Seus 15 anos como expatriado lhe conferem uma visão de economia e geopolítica a luz das liberdades individuais. É filiado NOVO de primeiro dia, membro do CONFIA-NOVO e candidato à vereador em São Paulo.

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