As novas caras (e vozes) da direita e da esquerda


Jovens tentam mudar o estigma de que políticos são todos iguais

Por Letícia Gonçalves (Gazeta Online),

Dia sim e, não raro, outro também, políticos integrantes de partidos dos mais diversos matizes aparecem no noticiário associados a negociações nada republicanas, acusados de corrupção, recebimento de propina e outras práticas ilegais.

O cenário pode afastar ainda mais quem não se interessa por política, como se comprovasse o ditado popular de que todos os políticos e partidos são iguais. Mas há quem queira mudar essa paisagem justamente por meio da política. Da política partidária. E são jovens, normalmente pouco afeitos aos assuntos áridos e desanimadores que emanam de Brasília.

Economista e filósofo Joel Pinheiro (foto:Reprodução Facebook)

Aos 30 anos, o economista e filósofo Joel Pinheiro da Fonseca é filiado ao Novo, partido criado no ano passado. “Em grande medida, a Lava Jato mostra que os partidos são todos iguais, sim. É um trauma para a política brasileira, que pode sofrer uma renovação. Mas as mudanças essenciais que o país precisa não passam apenas pelo combate à corrupção”, afirma Joel.

E é justamente nas saídas que aponta para a melhoria do país que o economista situa seu ponto de vista ideológico liberal, ou “libertário”: “A gente precisa rediscutir o tamanho do Estado, ter foco. Garantir acesso às condições mínimas a quem precisa, como em saúde e educação, mas deixar o empreendedorismo livre, não intervir na economia. O bolsa-empresário hoje é maior que o Bolsa-Família”.

O economista não rechaça o rótulo de integrante da direita, embora o considere apenas um rótulo. Joel também não embarca no discurso conservador quando o assunto são direitos civis. “Sou a favor do casamento homoafetivo e da legalização do aborto, por exemplo, mas essa é uma posição minha, não do partido”, pontua.

FATOR Bolsonaro

Assim, Joel não compactua do afã provocado pelo deputado Jair Bolsonaro (PSC) em alguns jovens em meio à descrença política.

Estudante Marianna Dias (Foto: acervo pessoal)

Esse é um ponto em comum com a estudante de Pedagogia Marianna Dias, de 24 anos, que há cinco faz parte das fileiras do PCdoB. Para ela, o “turbilhão político” que o país vive expôs um conservadorismo latente na sociedade. “O sentimento de conservadorismo sempre existiu na sociedade, só não era tão exposto”, avalia.

O turbilhão que Marianna cita chegou até ao próprio PCdoB, que teve nomes envolvidos na Lava Jato. Mas isso não demove a baiana, diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE), da luta política. “Todos os citados já esclareceram tudo, que receberam doações legais. O PCdoB é um partido de princípios”, responde, sem pestanejar.

Para ela, melhorar o Brasil significa frear qualquer tentativa de retirar direitos conquistados pela sociedade. “O atual governo tem um projeto de Estado mínimo, de privatização, de cobrar mensalidade nas universidades públicas e de retirada de bolsas estudantis. Esse é um projeto que, certamente, não seria aprovado nas urnas”, critica, enquanto Joel Pinheiro já chegou a escrever que o governo Temer “é o que tem pra hoje, apesar de não ser a primeira escolha de ninguém”, e a elogiar a montagem da equipe econômica.

É nas urnas que Marianna vê a luz no fim do túnel para a crise: “Defendo uma consulta popular para o povo dizer o que quer. Não é o Congresso corrompido, e o STF, passional, que têm que decidir”.

A reportagem perguntou a Marianna e a Joel como se imaginam aos 50 anos. “Ainda terei como principal objetivo da minha vida mudar a vida do povo”, responde ela. “Espero até lá ter dado uma boa contribuição para o Brasil no debate público”, projeta ele.

Eles apostam no envolvimento com a política para mudar o país

Estudante Kelton Natali (Foto: acervo pessoal)

O estudante de Arquitetura Kelton Almeida Natali, 21 anos, acaba de se filiar ao PSOL. Mesmo antes de integrar os quadros do partido, o jovem já se indignava com os casos de corrupção. “O PT, desde 2002 já se afastava dos ideais de esquerda, o que virou uma bola de neve. Empresa não doa, espera retorno”, diz um taxativo Kelton.

Para ele, a esperança está em mostrar aos jovens que nem todas as legendas são iguais e o caminho é a informação. “Tem gente que nem sabe os posicionamentos do Bolsonaro, mas foi ao Aeroporto de Vitória recebê-lo. Ficam indignados com a corrupção e vão às ruas, num grito de socorro, mas não debatem os problemas”, pontua.

Como resultado dos debates dos quais participa, o estudante já vê possíveis saídas para melhorar a atual crise nacional: “Precisamos de uma reforma tributária. Hoje, 51% dos impostos são sobre o consumo. O preço do arroz é o mesmo para o rico e para o pobre, mas para o pobre, percentualmente, pesa muito mais”, exemplifica.

Advogado José Vervloet (Foto: Marcelo Prest)

Na outra ponta está o advogado José Antônio Vervloet do Amaral, que aos 31 anos preside o partido Novo no Espírito Santo. Para ele, a questão dos impostos também deve entrar na agenda.

Amaral defende a revisão do pacto federativo: “Há uma inversão maléfica da repartição do bolo tributário. A União concentra a maior parte dos recursos, os Estados uma parte menor e os municípios a menor parte ainda. E é onde as pessoas vivem e as maiores demandas por recursos estão”.

Ele avalia que a Lava Jato pode afastar ainda mais os jovens da política, diante dos escândalos de corrupção que maculam a imagem dos agentes públicos. “Mas a vida em sociedade reclama a participação política, e o ser humano é, em essência, um ser político. O forte fisiologismo existente no Brasil, a troca de favores escusos em detrimento do interesse público, infelizmente, é o que impera”, critica.

“Só que em política não há vácuos. Com estímulos como o fundo partidário o espaço certamente será preenchido por alguém. Pode ser por alguém por quem você se sinta representado ou não. Por isso é importante participar. Para mudar aquilo que não acreditamos é preciso se envolver e agir, e não apenas esperar que as soluções venham de terceiros”, afirma.

Fonte: gazetaonline.com.br

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