Voluntariado Eficiente


Paulo Lázaro, NOVO-SP

 

O voluntário tem a capacidade de tomar para si problemas que outras pessoas enxergam como alheios a sua realidade, situação que remete em última análise a senso de refinado  colaboração e altruísmo. Isso faz por exemplo um médico ir para uma área de conflito e cuidar de desconhecidos em situações extremas.

O voluntariado tem a característica de ser um conjunto de ações dirigidas a um certo interesse sem recebimento de remuneração ou lucro. É regulamentado pela Lei 9.608/1998 que o define como atividade não remunerada, prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza, ou a instituição privada de fins não lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive mutualidade.

A atividade é norteada por identificação ideológica do voluntário e normalmente supre uma necessidade da instituição beneficiada, com vínculo baseado em confiança mútua. O trabalho voluntário pode ser pontual, o que demanda investimento fugaz e pequena interação entre as partes, como uma campanha de doação de sangue ou alimentos, limpeza de praças, entre outros.

Para se tornar duradouro deve seguir alguns requisitos que tornem o vínculo sustentável a longo prazo, apesar dos desgastes naturais que ocorrem durante essa “sociedade”. Valorizar o trabalho voluntário sério é fundamental, mantendo assim afastados aqueles que querem apenas ocupar espaços ociosos e trabalharem em benefício próprio.

Dentre as instituições de sucesso que tem em seus quadros voluntários de maneira orgânica podemos citar a Cruz Vermelha, Médicos sem Fronteiras, Rotary International e Serviço Voluntário Internacional do Brasil.

Existem algumas características comuns nesses exemplos vencedores, as mais importantes a saber:

Crença no projeto – O voluntário, via de regra, se mantém fiel ao princípio que o fez participar do projeto. A manutenção da motivação inicial é um fator de grande importância e deve ser renovada sempre que possível pela instituição beneficiada. Não há voluntariado duradouro sem a crença em um objetivo comum às partes envolvidas, por isso altas taxas de perda na base de voluntários é reflexo de políticas institucionais claudicantes.

Parceira e Pertencimento – A sensação de parceira e pertencimento a um grupo cresce na medida em que há ressonância dos valores defendidos por seus indivíduos.
Nesse ponto os desafios tornam-se menores pelo “empoderamento” de cada representante desse “novo organismo”. Esse é o famoso princípio do “juntos somos mais fortes”.

Clareza de objetivos – O voluntário, antes de iniciar sua dedicação, deve ter a clareza de suas funções e seu espaço dentro da organização, bem como o que lhe será exigido de dedicação e requisitos. Precisa saber até que ponto poderá participar das decisões da instituição, ou se apenas é ‘braço’. Para cada função, há requisitos específicos e, também, dedicações diferenciadas, e tudo isso deve ser discutido e costurado de maneira sincera.

Valorizar o voluntariado é um caminho excepcional para o NOVO enraizar o conhecimento dos seus valores na população e de cultivar a confiança na gestão de seus dirigentes.

 

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Paulo Lázaro de Moraes é médico formado pela PUC-Campinas, Doutor pela Universidade Federal de São Paulo. Dedica-se a estudos na área de oncologia / radioterapia e de saúde pública. Escreve às quintas para o 30 Diários.

 

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