O vento virou


Vento Virou, de Diogo Carneiro

Vento Virou, de Diogo Carneiro

 

Por Eustáquio Barbosa,

O maior problema de um líder político é não perceber a mudança do curso da história. Depois que passaram, fica fácil examinar os fatos e estabelecer um relação lógica de causa e efeito, mas durante o processo histórico isso não fica muito visível e às vezes até se esconde no emaranhado de eventos simultâneos. Foi assim com a monarquia francesa diante da revolução burguesa batendo à porta. O mesmo ocorreu no final do reinado de D.Pedro II, em que o Baile da Ilha Fiscal foi o exemplo de alienação.

A História no Brasil está prestes a dar mais uma de suas guinadas. Os fatos vão se acumulando e se somando, mas, a princípio, a direção do curso do rio da história parece não se alterar, até que, de repente, o vento vira… Aí tudo se precipita e não há força contrária que faça o rio voltar ao leito.

O Brasil está vivendo um desses momentos. O povo brasileiro tradicionalmente sempre foi semi-alienado da política. Votava por obrigação. Escolhia seus candidatos baseado na imposição do chefe político local, no parentesco, na gratidão, na expectativa de auferir alguma vantagem pessoal, enfim, nas razões mais comezinhas e pouco republicanas de escolher um representante. Isso levou sempre a um distanciamento enorme entre o candidato eleito e seu eleitor. Programas partidários eram olimpicamente desconhecidos por um e por outro. O resultado sempre foi a baixa representatividade da classe política em relação ao seu eleitorado.

Tudo indica que as coisas mudaram agora. As pessoas passaram a se interessar pelo que os seus “representantes” estão fazendo. O controle se aprimorou por causa da internet. A divulgação é imediata pelas redes sociais, que não tem dono, nem controlador. Não importa o nível intelectual ou o grau de instrução, todo mundo tem acesso à notícia e à opinião dos amigos e conhecidos, em tempo real.

Acabou a época em que o político tinha controle sobre a sua imagem e sobre as informações que deixava chegar ao seu eleitor. Não mais. Não há intermediários, nem intérpretes. Há os que ainda atribuem algum valor ao marketing político e estão propensos a despejar rios de dinheiro em campanhas comandadas por marqueteiros. Mas digam, que marqueteiro seria capaz de mudar agora a imagem de Eduardo Cunha? Ou a de Renan? Ou de convencer os 65% da população, que dizem que não votariam em Lula em hipótese alguma, que esse ex-líder populista é uma criatura inocente?

Os políticos em geral vão demorar a perceber, mas estarão em sua maioria condenados ao esquecimento e ao ostracismo. Novos tempos exigirão um novo comportamento. A fiscalização da sociedade veio pra ficar. A desvinculação de partidos políticos também. Esses novos ventos trarão também novas cabeças e novas ideias ao cenário político brasileiro. Não é à toa, que jovens do Movimento Brasil Livre, do VemPraRua, do Partido Novo tem tido cada vez mais espaço na mídia. A hora deles chegou!

Fonte: cosanostra5.blogspot

 

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