II Painel Analítico dos Filiados ao Partido NOVO


II Painel Analítico dos Filiados ao Partido NOVO

 

Como aguardado, o Blog 30 Diários aproveita a divulgação, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da lista geral de filiados de todos os partidos políticos nacionais que estarão aptos a participarem das próximas eleições municipais brasileiras em outubro de 2016 e, assim como fez em sua primeira análise, divulga agora o seu tradicional PAINEL ANALÍTICO DOS FILIADOS AO PARTIDO NOVO.

I Painel

O Partido NOVO contabilizava, em sua primeira listagem oficial do TSE fechada em 02 de outubro de 2015, exatamente 1.393 filiados registrados. Considerando o reduzido período de duas semanas, entre o início do processo de registro de filiados e o fechamento da lista (antigo prazo para deferimento de candidaturas), tal quantidade de filiados foi considerada um sucesso.

Muitas objeções foram levantadas posteriormente sobre o volumoso registro de filiações. O exíguo prazo para o registro de candidaturas, o desconhecimento do Estatuto interno do NOVO que proibe reeleições seguidas aos mandatários, a impossibilidade da articulação de conchavos políticos ou da “compra” de Diretórios e/ou zonas eleitorais, a não observância ideológica dos seus preceitos partidários, enfim, vários fatores contribuiram para inflar os números iniciais de filiados do partido.

Com o I Painel, foi possível analisar por diversos ângulos o espectro da listagem dos primeiros filiados ao Partido NOVO. O estudo foi majoritariamente focado em quatro temas:

  1. A cobertura geográfica da atuação recrutadora do partido;
  2. Uma dimensão inicial da eficiência particular de cada Diretório Estadual e de cada Núcleo local, a partir do potencial estimado de sua base eleitoral;
  3. Detectar e orientar o Diretório Nacional a reforçar a atuação nas regiões com baixa penetração ou subaproveitamento do potencial estimado;
  4. A implementação de grupos locais a fim de coordenar a atividade partidária em cidades com alta penetração, porém sem Núcleos locais ou Diretórios organizados.

II Painel

Já neste segundo Painel, com a possibilidade de se trabalhar com dados obtidos em efemérides diferentes, o Blog 30 Diários orienta a sua análise principalmente na aferição assertiva das principais práticas do NOVO: Ações de rua, ativismo digital e a política do Diretório Nacional de concentrar esforços, recursos e limitar a campanha eleitoral deste ano a poucas capitais estaduais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre.

Desmembrando a lista de filiados divulgada pelo TSE em abril de 2016, distribuídos geograficamente pelas cidades de origem e quantificados pelo total por município, temos a visão geral da distribuição espacial dos filiados pelo país. Com poucas exceções, em relação ao mapa do primeiro Painel, o NOVO está representado por 2.394 filiados em um universo de 275 cidades brasileiras:

Distribuição espacial dos filiados do Partido NOVO pelos municípios e Estados do Brasil - TSE 2016 - Blog 30 Diários

 

Numericamente, os 1.094 filiados paulistanos correspondem a 45% do total nacional, sendo o grande destaque em uma análise visual preliminar. Comparativamente, ao Painel anterior, também é possível constatar visualmente a evolução do número de filiados nas cidades cuja representatividade anterior (outubro de 2015) era bastante equivalente, como no caso das cidades: Brasília (76), Porto Alegre (66), Belo Horizonte (61) e Curitiba (60).

Ações de Rua

Observando o total absoluto, representado visualmente pelo tamanho atualizado de suas circunferências acima, concluímos a eficácia do trabalho das Ações de Rua desenvolvido pelos núcleos porto-alegrense (de 66 para 229 filiados) e belo-horizontino (de 61 para 82 filiados). Ao mesmo tempo, permite enfatizar a necessidade de aprimoramento do trabalho desenvolvido pelos núcleos de Brasília (de 76 para 75 filiados) e Curitiba (sem alteração).

As cidades com o maior crescimento absoluto e do percentual de filiados (tabela abaixo) foram justamente aquelas reconhecidamente notáveis pelo engajamento de suas equipes de voluntários e sólida organização nuclear. Dos cinco municípios com os maiores crescimentos percentuais de filiados, quatro são capitais estaduais e preenchem todos os dois requisitos supracitados:

Cidade UF Região TSE/30nov15 TSE/18abr16 Cresc(%)
SAO PAULO SP Sudeste 239 1094 358%
PORTO ALEGRE RS Sul 66 229 247%
BELO HORIZONTE MG Sudeste 61 82 34%
SALVADOR BA Nordeste 12 14 17%

 

Ativismo Digital

Em época de pós-modernismo, cujo galardão máximo foi a vitória de Barack Obama e sua ovacionada campanha eleitoral, cunhada no ativismo digital e no uso intensivo de big data a níveis pessoais até então inimagináveis, o NOVO se destaca na política brasileira como um dos paladinos desbravadores mais eficientes dos mares digitais.

Poucos partidos políticos, como o PT, o PSDB e mais recentemente o PSL, conseguiram tamanha projeção digital quanto o Partido NOVO. Feito ainda mais especial quando se leva em conta os parcos sete meses de existência deste em comparação às décadas de vantagem dos dois protagonistas.

Esta permeabilidade digital permite ao partido estender a sua base de filiados até os mais longínquos rincões do Brasil. Desta feita, foi possível verificar cadastros estreantes em pequenas cidades da Amazônia ao sertão nordestino. Acompanhe na tabela abaixo:

Cidade UF Região TSE/30nov15 TSE/18abr16 Cresc(%)
ADAMANTINA SP Sudeste 0 1 n/d
CAMPANHA PB Nordeste 0 1 n/d
FORMOSA ES Sudeste 0 1 n/d
FORQUILHA PE Nordeste 0 1 n/d
MORRETES RS Sul 0 1 n/d
ROLANDIA PA Norte 0 1 n/d

 

Concentração das campanhas eleitorais

Dentro de sua concepção sabidamente centralizadora e impositiva, o Diretório Nacional do Partido NOVO tomou a decisão de restringir a umas poucas capitais as suas pretensões de lançar candidatos próprios às legislaturas municipais e respectivas prefeituras, no pleito de 2016. A decisão, de caráter unilateral, não agradou aos filiados espalhados pelo interior do país, cujo desejos e esperanças foram subitamente postergados em, pelo menos, mais dois anos (quiçá mais), por conta de uma estratégia partidária.

Distribuição espacial e crescimento percentual - Cidades com aumento de filiados NOVO Brasil

 

Pode-se questionar as decisões estratégicas do Diretório Nacional porém, é inquestionável a necessidade de fazer valer os princípios do Estatuto e, à partir de suas premissas, impor os maiores padrões éticos, morais e ideológicos a todos os filiados que desejam ser representantes (eleitos ou não) do Partido NOVO, em cada uma das cidades, sem exceção.

E como garantir tais preceitos quando apenas 6 dos 275 municípios brasileiros possuem mais de 30 filiados partidários registrados (incluindo Brasília, de fora este ano)? Seria viável ou muito arriscado, incluir nesta conta Campinas (25 filiados) e São José dos Campos (22 filiados)? Na dúvida, a estratégia do DN é perfeitamente louvável – agir com prudência, mesmo que por um caminho mais longo – contudo, não isento de críticas: fosse discutido às claras, a estratégia seria muito mais palatável e causaria muito menos desgaste em sua base de voluntários.

Em contrapartida, um partido real (desde setembro do ano passado), cujo conteúdo ideológico e pragmático é fundamentalmente ancorado no suporte financeiro e no apoio voluntário de simpatizantes não pode se dar ao luxo de desdenhar das aspirações políticas de 1/3 dos seus filiados, sem que sofra uma severa retaliação (vide mapa abaixo). Soma-se a isto, a incipiente concorrência liberal de PSL, PSC e até PMDB (e sua”Ponte para o futuro”), além de um cenário político extremamente desafiador à curto prazo.

 

Distribuição espacial e diminuição percentual do número de filiados do partido NOVO (Fonte: TSE - out/15 a abr/16)

 

A partir do momento que o partido não é mais capaz de reter o número conquistado de filiados registrados, o fundamento básico pétreo de depender exclusivamente dos recursos financeiros de seus simpatizantes não é mais viável. Com o previsível crescimento da infraestrutura partidária básica nos anos vindouros, a dicotomia entre mensalidades/doações decrescentes versus o aumento de custos desencadeará inexoravelmente na necessidade da utilização dos recursos do Fundo Partidário, para sua manutenção básica.

Uma vez que se perca esta cláusula pétrea da não utilização do dinheiro público, o partido encontrará seu lugar na cova rasa ordinária, do lugar comum na política, e morre. Ficar insistindo na tese (morta) do financiamento jurídico é tentar ressuscitar Inês. Let it go.

Abaixo, a relação de municípios brasileiros com filiados registrados, ordenada pelo crescimento percentual entre a primeira e a segunda lista divulgada pelo TSE (2015 e 2016) com a presença do Partido NOVO (com a liberalidade de indicar 1% de crescimento para aqueles municípios com novos filiados):

 

Relação de filiados do Partido NOVO por município (Fonte: TSE out/2015 e abr/2016)

 

Enquanto projeto omnibus, ou que agrega diversos setores carentes de representatividade da direita, o NOVO pôde abrir mão de muitas responsabilidades. Inclusive de assumir uma posição ideológica mais embasada, que vá além do lugar comum da administração eficiente, em nome de uma política não segregacionista e aglutinadora. Superada esta etapa, é preciso fazer frente à concorrência dos novos atores liberais como o PSL, que já conta, inclusive, com a preferência da ala libertarianista.

O NOVO precisa encontrar um eixo de atuação – equilibrar estratégia política, manutenção do foco ideológico e, principalmente, o desejo dos filiados. Este é o principal desafio do projeto de partido, que se tornou real em setembro de 2015 e, desde então, integrou-se ao coletivo, do qual representa e, por ele, é representado. Repensar maneiras de aproveitar esta enorme força coletiva é imperativo. Repensar uma forma de descentralização não é de forma alguma abrir mão do projeto original mas, de salvá-lo. Não se trata de aderir ao pragmatismo aberto, trata-se de respeitar o filiado.

Entender a nova dimensão do projeto é o intento. O tempo urge, a onda passa e aproveitar o momento eleitoral é fundamental. É preciso dispor das ferramentas necessárias para conquistar e também para manter os seus filiados.

Faça o download da tabela numérica de filiados do NOVO, agregados por município:
Tabela Filiados NOVO – nov15 – abr16

 

 

6 comentários sobre “II Painel Analítico dos Filiados ao Partido NOVO

  1. Prezados,

    Onde acesso a nova listagem do TSE?

    Eu estou filiado desde outubro de 2015 e meu nome não aparece na listagem disponível no site do TSE.

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  2. Estranho porque em Rondônia estamos crescendo. Nas estatísticas oficiais do Tse contam apenas 8? Em Porto Velho estamos em 28 e em Rondônia já são 50.

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  3. Muitas mensagens estão afirmando que a lista divulgada pelo TSE este mês não pode estar correta. Vamos aguardar possíveis atualizações e, se for o caso, reanalisar os números.

    Lembrando a nota no site do TSE: “De acordo com a lei, os partidos políticos devem, na segunda semana dos meses de abril e outubro de cada ano, por seus órgãos de direção municipal, regional ou nacional, remeter, aos juízes eleitorais, para arquivamento, publicação e cumprimento dos prazos de filiação partidária para efeito de candidatura a cargos eletivos, a relação dos nomes de todos os seus filiados.”

    O site do Filiaweb estava fora do ar até 10 dias atrás, provavelmente para atualização dos dados. Na data de hoje, as informações coletadas para verificação são exatamente as mesmas que as divulgadas acima, inclusive com os mesmos 5 filiados para a cidade de Piracicaba e os mesmos 8 para Porto Velho.

    Recebemos relato de filiado ao Partido NOVO que possui o comprovante de filiação de outubro de 2015, os comprovantes de pagamento das mensalidades desde então e também não consta como filiado no site do TSE, tanto da primeira lista (outubro/2015) quanto da segunda lista (abril/2016).

    A função do 30 Diários é a de fiscalizar a idoneidade e o funcionamento do projeto de partido ao qual somos todos “sócios”. Vamos cobrar posição do TSE e do Diretório Nacional e fazer a divulgação da apuração.

    Abraço a todos!

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  4. Caros colegas,

    Pelo visto a falha é generalizada.

    Convém acompanharmos isso com atenção. Acredito que seja imprescindível que o Diretório Nacional esclareça assim que possível o que de fato ocorreu. Não para execração de eventuais culpados, mas para cumprir uma das promessas de gestão do Partido: TRANSPARÊNCIA.

    Se a falha for de origem interna e o Diretório tentar esconder isso, a minha decepção será enorme.

    Já estou um pouco decepcionado, confesso. Mas sei que erros acontecem e que antes de qualquer conclusão ou julgamento é preciso saber o que de fato ocorreu.

    Espero que a gestão do Partido trate este problema da forma como todos os filiados esperam: com honestidade e transparência.

    Curtido por 1 pessoa

  5. Pingback: Almanaque do Partido Novo | 30 Diários

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