O discurso liberal é mais difícil de se entender que o de esquerda? Algumas ideias e insights.


Alexandre Reis

 

No Brasil e na América Latina, o Estado sempre prometeu muito, ainda que tenha entregado pouco ou quase nada. Virou lugar comum aos detentores do poder se comprometer com  soluções redentoras a cada ciclo de poder. Seus “opositores” tendem a responder com soluções que dependam ainda mais do Estado, ou melhor, com o dinheiro sem fim dos contribuintes. A coisa grátis sempre vendeu bem por estas bandas.

Deste modo, qualquer um que ouse defender ideias políticas que não exatamente pela via dita progressista é impiedosamente bombardeado. Se o sujeito se declarar liberal então…. ah vai escutar! É preciso paciência. Em alguns casos, até simpatizantes, liberais ou não, se questionam: nossas ideias são difíceis de vender? Será?

Antes de tudo, este tipo de raciocínio é preconceituoso. Tratando o povo como ignóbil, incapaz de digerir qualquer proposta que fuja do padrão paternalista e rotulando os liberais,  colocando-os como extremistas que querem acabar com todo e qualquer tipo de Estado, defensores de um anarco-capitalismo beirando o Darwinismo social. Algo parecido com o Humanitismo do machadiano Quincas Borba e o que impera é a lei do mais forte.

Contra esses juízos, levanto uma pequena lista de insights e questões:

  • Pergunte a qualquer um que já sofreu com filas ou greves nos Correios e gostaria de pagar menos para enviar cartas por uma empresa que funcione aos sábados o dia todo, à noite em dias úteis e, mais importante, que não entre em greve.
  • Pergunte a qualquer um se acha a escola pública pública do filho é boa. Se não gostaria de receber um cheque, no valor equivalente ao que o governo “gasta” por ano com seu filho, para poder escolher a escola de sua preferência para colocar a criança.
  • Pergunte a qualquer um se considera moral um mesmo sujeito ocupar uma vaga na câmara dos deputados ou Senado por 12, 16, 20 anos.
  • Pergunte a qualquer um se os preços nos supermercados são realistas, se não há algo errado.
  • Pergunte a qualquer um se consegue sair do cheque especial, dos juros despudorados dos cartões de crédito, financeiras e afins.
  • Pergunte a qualquer um o que acha de bilionários receberem dinheiro subsidiado de bancos públicos.
  • Pergunte a qualquer um o que acha de um governo que gasta meio bilhão por ano com uma empresa como a EBC (Empresa Brasil de Comunicação), empresa que produz um conteúdo (TV e notícias) que ninguém vê.
  • Pergunte a qualquer um o que acha de trabalhar 5 meses do ano para sustentar um Estado que não devolve serviços públicos de qualidade.
  • Pergunte a qualquer que já tentou, ao menos uma vez na vida, abrir ou legalizar um negócio próprio no Brasil, se foi fácil.

São apenas alguns exemplos que servem para desmistificar a crença de que nós, brasileiros, não temos tendências liberais, au contraire, o que não havia era opção. Escorados na ilusão do menor esforço, da coisa grátis, abríamos mão de princípios por promessas. Para muda este paradigma vicioso, temos o Partido NOVO.

O leitor acredita piamente que o eleitor brasileiro confia no Estado? E quem desconfia do Estado é o quê? Socialista é que não é. Taí a sua resposta…

Leitura complementar: Confiança e a opinião pública

Alexandre Reis é publicitário e microempreendedor.  Aprendeu na prática a desconfiar do Estado em todos os aspectos e acredita na vocação empreendedora do brasileiro e no potencial do indivíduo.

 

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