Varginhense realiza greve de fome no Planalto


Prof. Luiz Fernando Paiva Lycarião (Foto: Rodrigo Nunes/Esp.CB/D.A.Press.)

Prof. Luiz Fernando Paiva Lycarião (Foto: Rodrigo Nunes/Esp.CB/D.A.Press.)

Protesto é contra nomeação de ex-presidente Lula e crise política

Por Thamires Benetório,

Quarta-feira 16 de março. Eram 22:00 horas, quando Luiz Fernando Paiva Lycarião, fazia sua última refeição; dois pedações de frango frito, três pedaços de polenta frita e umas duas colheres de quiabo. O jovem professor de inglês, aos seus 31 anos, após a nomeação do ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva como Ministro da Casa Civil, iniciou às 09:00 horas da manhã do dia seguinte, greve de fome em frente ao Congresso Nacional.

Segundo Lycarião, sua estadia na Praça dos 3 Poderes, vai além de um protesto contra a nomeação de Lula como Ministro, mas se configura também em um protesto como a crise política em um todo; “A nomeação de Lula para mim, foi um escárnio completo. Aqueles que juraram defender as leis estão usando-as para inutiliza-las. A crise política como um todo, é horrorosa. Eu gostaria de ver a Dilma renunciar, mas pela natureza de meu protesto não arrisco tal meta. Meu objetivo hoje, é ver lula definitivamente não ministro. Seja pelo STF, pela Dilma ou pelo próprio Lula. (Embora esses dois últimos sejam praticamente impossíveis)”, destaca.

O professor ainda comenta que nunca foi filiado a nenhum partido, mas sente o gosto amargo de suas últimas escolhas nas eleições presidenciais; “Nunca fui filiado a nenhum partido. Mas tenho grande apreço pelos ideais do Partido Novo. Em eleições anteriores, votei no PT sim. Votei em 2002, e votei convicto e emocionado. Até os defendi no mensalão, mas no final me arrependi. Muito embora a presidência de Lula tenha sido ótima para o Brasil, mas por fatores alheios ao presidente em si”, explica.

A decepção e o gosto amargo de suas escolhas, Lycarião detalha; “O momento em que me decepcionei, foi quando as políticas econômicas foram cada vez mais burras, a partir da insistência de se manter políticas anticíclicas em um momento inadequado. Isso lá por 2011, 2010”, ressalta.

Recebendo apoio dos familiares e amigos, que mantêm uma página nas redes sociais, “Força Luiz Fernando”, o professor comenta por onde tem mantido contato e cada passo de seu protesto registrado; “Recebo muito apoio. Pessoas tiram fotos, se dispõem a comprar e trazer coisas para mim diariamente. Os guardas e vendedores da praça, já se tornaram companheiros. Para minhas necessidades, tenho usado banheiros públicos e bebedouros. Banhos de pia e encho garrafas em bebedouros. Mas recebi recentemente, mais de 10 litros de água por simpatizantes”, explica.

Sobre o momento vivido em todo país, e o grande boom de manifestações espalhadas, o professor comenta o que pensa; “Acho que as manifestações são positivas e necessárias. São também um sinal do amadurecimento democrático. Mas infelizmente não posso falar o mesmo das manifestações pró-PT, que vejo como nada mais que uso do poder estatal para criar movimentos falsamente populares. Acredito inclusive, que o cenário político em si possa mudar, mas a médio ou longo prazo. A queda do PT diminuirá a polarização e a dificuldade de usar políticas econômicas sãs, mas não significará o fim da corrupção”, pontua.

Quanto à possibilidade do impeachment de Dilma, Lycarião é enfático; “Sou sim a favor do impeachment, a presidente já demonstrou ter cometido crime de responsabilidade com as pedaladas fiscais. E essa manobra para proteger Lula é algo escandaloso, ela não está obedecendo os princípios da administração pública”, destaca.

Com suas posições políticas em mente, o professor comenta o modo como acaba influenciando seus alunos; “Me considero de direita, pois me preocupo com liberdade individual acima de tudo. Mas essa mesma posição, causa horrores na própria direita. Por exemplo, sou a favor dos direitos dos gays e LGBT, assim como a favor da liberação das drogas. Porém, no sentido oposto, sou a favor do posse de armas, privatizações e livre mercado. Já ouvi de alunos que tendem à esquerda, que eu era “demais!” e sempre difundi os ideais da liberdade, sem entrar em confronto com eles. Mesmo alunos que votaram na Luciana Genro tem grande carinho e respeito por mim e isso é importante”/em>, comenta.

Em suas considerações finais, o professor comenta o que espera para daqui dez anos e o que acredita ser melhor para o Brasil atualmente; “Neste momento, acredito que o melhor caminho para o Brasil é aquele que for mais de acordo com as leis. Se for impeachment, ok, se for cassação de chapa e novas eleições, ok também. O que me anima é o crescer das ideias liberais, defendendo um estado mais enxuto e pondo maior ênfase na responsabilidade individual. Acho que precisamos muito disso. Mas sinceramente, espero que em 10 anos o Brasil seja menos suscetível ao populismo e ponha maior ênfase no indivíduo do que em grupos. E também que torne-se comum a ideia de que um rico, não é inimigo de um pobre”, encerra.

Imagem: Correio Brasiliense

Fonte: brasilmetropole.com.br

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s