Entre NOVO e Velho


Eleitor engolindo sapos - até quando?

Eleitor engolindo sapos – até quando?

 

Por Manoel Higino Filho,

Em meio a uma crise política que supera a econômica, em tempos de fraturas expostas (e sem cura) do atual sistema político brasileiro, deparamo-nos, todos, contra a parede de concreto da falta de saídas e propostas. É como bater com o nariz na porta, que além de doloroso, é meio humilhante e ridículo.

Mas de engraçado não há nada.

O sistema político brasileiro se fragmentou de tal forma, com desenho tão perverso, que temos hoje cerca de 40 partidos, o que inviabiliza completamente a escolha de rumos e apoios mais sólidos, deixando a condução das ações de Estado à mercê de acordos criminosos, marotos, oportunistas, ou, simplesmente, casuísticos.

Um amigo de Curitiba, sempre nos comentários do Blog, Jorge Casagrande, tem enviado desde há algum tempo notícias sobre a criação do “Partido Novo”, que pretende mudar com sua atuação, vejam só, o jeito de se fazer política, começando por não aceitarem verba do chamado “Fundo Partidário”.

Não aceitar a verba é muito bom sinal, aplausos aos novos! Mas seria suficiente?

Na verdade, não!

O pior: é muito pouco.

No artigo desta última terça salientei como o debate político anda rasteiro, se é que tal coisa existe. O Brasil é muito complexo, marcado de forma dilacerante pelos seus contrastes e suas histórias regionais. Mas temos (atenção!), condições favoráveis que nos ajudam muito. Vamos lá: unidade de idioma, grande extensão territorial, ausência de conflitos importantes de religião e racismos. Há boa produção agrícola, agronegócio de bom nível, indústria com parque decadente, mas ainda importante. Além disto vivemos período do chamado “bônus demográfico”, coisa rara neste início de século pelo mundo afora. A Economia está, digamos, mapeada, sabemos dos Indicadores e o que fazer. Sim, apesar dos pesares, não precisamos fazer grandes experiências criativas sobre os rumos da Economia. Uma equipe de bons Economistas daria conta do recado.

Mas se há tantos aspectos favoráveis, em nome de Deus, por que a coisa toda anda tão mal?

Porque não há solução econômica sem credibilidade e real estrutura política.

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Porque olhamos para o futuro com as ferramentas e as visões do passado. Eis porque escolhi o Novo para este artigo, mesmo que ele, cheio de boas e sinceras intenções, não seja o culpado de nada.

Há um sem número de questões que deveriam estar contempladas no nascimento do Novo, a começar pelo nome, que atira contra o próprio pé. O que é novo apenas permanece novo se se renovar dia a pós dia. Tarefa para deuses do Olimpo. O nome deveria contemplar algo mais republicano, eu quero crer. Fica como está, correndo o risco do desgaste, mas este não é o pior pesadelo do partido.

Participei outro dia de um debate muito rico com profissional que fora meu aluno há anos. Inteligente e sagaz, ele questionou com inegável talento a forma como fazemos negócios por aqui. Ele perguntava:

“_ Qual é a maior frota de taxis do mundo? “

(Yellow Cab?!)

Não, claro que não, são os Uber!

E eles sequer possuem garagens e empregados, oficinas ou trocas de óleo!

O novo mundo que nasceu mudou a rotina dos negócios, das estruturas de lojas, do mundo físico, caro, distante, com vendedores ou atendentes despreparados e chatos. No mundo globalizado recém-nascido tudo é mais produtivo e barato, mais inteligente e ágil. E o que se dizer do maior e mais lucrativo site do mundo, o Facebook? O conteúdo é feito por nós!!! De graça!!!

O novo mundo é agregador, mais autônomo e mais capaz de soluções coletivas.

O Novo nasce velho, ao menos por este motivo, usa ferramentas e ideias antigas para reformar o que já existe. As pessoas, neste caso, eleitores esclarecidos, querem mais, muito mais que isto.

Pensem que novas formas de contato com eleitores poderia criar uma pequena revolução. Pela Web, na Suécia, por exemplo, o eleitor cadastra-se e opina e vota por projetos junto ao seu congressista.

Isto nos leva a novas propostas nada revolucionárias, mas sem as quais não iremos a nenhum lugar, enquanto o partido do governo inaugurou o presidencialismo… Sem presidente!

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Para a nova etapa da democracia precisamos de choque republicano, com o Parlamentarismo, o Voto Distrital (misto? Único?), o fim da possibilidade de reeleição, do debate sério sobre a fidelidade partidária, dos ritos mais ágeis e sumários ao vetusto Conselho de Ética do Congresso, por exemplo, hoje na ativa demonstrando, de forma inequívoca, sua caduquice e ineficiência. Um jogo de faz de conta.

A sociedade globalizada quer soluções mais participativas, mais rápidas, gente com capacidade de (evitar) ou solucionar problemas, que saiba o que acontece em seu bairro, sua pequena cidade, sua delegacia de Polícia, ou hospital local.

O mandonismo, a carteirada, a solução de improviso, tudo deve ser abandonado.

Quando falar com o eleitor, os projetos devem ser objetivos, não propostas genéricas, difusas, meramente lidas (infantilmente) diante de câmeras de TV.

O Novo precisa de técnicos e Economistas de boa formação. Deve ser, rigorosamente, ético!

O Brasil chega ao século XXI com a cabeça nos dois séculos anteriores, com ferramentas novas, mas velhos usos. Ficou como ensinar educação sexual ao adulto pervertido. Tudo o que se consegue é dar nomes novos…

Para práticas velhas!

O Partido Novo (e nossa deplorável forma de fazer política) têm estes colossais desafios.

Nasce em meio à crises (econômica, moral e política) colossais, que em arremedos passados trouxeram ao País desmandos, renúncias, empeachment e golpes seguidos de ditaduras.

Há muito trabalho pela frente.

MANOEL HIGINO É ECONOMISTA é consultor e palestrante.

Fonte: manoelhiginoconsultor.wordpress.com

2 comentários sobre “Entre NOVO e Velho

  1. Bom dia.
    Obrigado pela publicação do artigo, espero estar colaborando para um debate saudável nestes dias de crise avassaladora em nosso País, em nossa Nação.
    Sou Economista, mineiro de BH, onde resido e de onde, duas vezes por semana, escrevo artigos às terças e quintas sobre variados temas, incluindo-se Política, Economia, Marketing, Cultura, História, por ex., que são de meu máximo interesse.
    Meu CV está no site para aqueles que querem saber um pouco mais sobre este escriba.
    Um abraço aos amigos e boa sorte ao partido!
    Espero que estes registros sejam capazes de provocar o surgimento de ideias e projetos para o Novo, hoje, como abordei, diante do desafio de ser, realmente, novo, o que ainda não deu sinais de acontecer.
    Manoel Higino S. Filho

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    • Obrigado Manoel Higino, pela excelente abordagem e também por trazer ao chão, os pés daqueles que acham que o NOVO, por sí só, é a solução para todos os males brasileiros. Nem perto disto. A tarefa é hercúlea e, tanto os dirigentes quanto os filiados precisam se unir para este dever.

      E esta tarefa tem início dentro do próprio partido. Todos que participam deste bom projeto precisam atentar para fiscalizar os seus mandatários e também para fazer cumprir o seu Estatuto. Sem o básico não se faz o complexo.

      Melhor do que ter o menos ruim é ter uma opção. Vamos cutucar, provocar, morder até que fique forte o suficiente para encarar este belo desafio. Mais uma vez obrigado pelo texto.

      Um grande abraço.

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