Quinze partidos podem ter candidatos em Lajeado (RS)


Lajeado-RS (foto de twitter @lajeado)

Lajeado-RS (foto de twitter @lajeado)

Por Carolina Chaves da Silva e Tiago da Silva,

Eleitores voltam às urnas em outubro, e, por vezes, desconhecem os reais objetivos dos partidos existentes no país.

O cenário político brasileiro tem sido palco, nos últimos anos, de um crescimento exorbitante do número de partidos. Até setembro do ano passado, 34 partidos haviam sido registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dez deles somente entre 2005 e 2015.

Aos poucos, as legendas se espalharam pelo país e criaram um leque de opções, questionadas por eleitores, profissionais e estudiosos da área. Afinal: qual seria o objetivo destes partidos? Eles propõe algo realmente inovador ou seriam somente fonte de interesses?

Em Lajeado, por exemplo, desde as últimas eleições municipais, há cerca de 15 siglas registradas, que entram e saem do município. Destas, as mais recentes são o Solidariedade (SD) e o Partido Republicano da Ordem Social (Pros), ambos cadastrados no TSE em 2013.

Em seu quinto mandato como vereador em Lajeado, Antônio de Castro Schefer saiu do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em agosto de 2013 e hoje é o maior representante do SD no município. À época, o parlamentar alegou discordâncias com os rumos do antigo partido.

A justificativa é a mesma utilizada por Ildo Salvi, vereador que trocou o Partido dos Trabalhadores (PT) pelo Rede em novembro de 2015. A nova sigla ainda não está cadastrada oficialmente em Lajeado e foi registrada no TSE em setembro de 2015.

O mesmo acontece com o partido Novo, que já conta com 30 seguidores no município, ainda sem vinculação a cargos políticos.

Prejuízo à gestão

Juiz eleitoral há 12 anos, atuante em Lajeado, Luís Antônio de Abreu Johnson destaca que não é contra a criação de partidos, tendo em vista que eles são essenciais à democracia. Porém, acredita que este movimento é prejudicial à política e tem um único objetivo: atingir o poder, através da conveniência aos partidos em destaque.

“Muitos filiados sequer conhecem o estatuto e o programa destes partidos. São estruturas formadas para compor coligações. Fica claro que as demandas da sociedade, pensamentos e ideologias não estão representados ali, na prática.”

Isto porque, o que é prometido na fundação destes partidos seria deixado de lado, a fim de vencer as eleições. “É uma salada de fruta ideológica: aqueles que deveriam ser de direita unem-se à esquerda e vice-versa. Se investe naquilo que o partido vencedor quer”, critica.

Válvula de escape

Para o cientista político e professor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Rodrigo González, os novos partidos, na maioria dos casos, funcionam como uma “válvula de escape para lideranças tradicionais” que não conseguiram espaço em partidos já consolidados.

“Tradicionalmente, nós temos de quatro a cinco partidos com presença importante no Estado, que concentram o maior número de vereadores. Por uma divisão interna, algumas lideranças locais não conseguem mais espaços nesses partidos. Então, eles acabam concentrando suas esperanças, com toda a história que já têm na política, para construir uma nova fase.”

Bons resultados

Para cientista político Rodrigo González, nas eleições municipais, os candidatos das novas legendas acabam tendo mais chance de se elegerem porque a proximidade com o eleitor é maior do que em plano federal ou estadual, por exemplo. “Nesses casos, a relação que o eleitor tem com o candidato é pelo noticiário. No caso municipal, é uma informação direta, é um contato com o próprio candidato”, diz.

Na avaliação de González, os novos partidos, até por acomodarem políticos que deixaram outras legendas, não têm uma ideologia política mais clara. É possível identificar aspectos tanto de direita como de esquerda. Esse posicionamento é definido de acordo com o nome que está a frente do partido na cidade: “Vai depender mais da liderança local que estiver representando o partido do que uma ideologia nacional estabelecida.”

O que restou

Os partidos tradicionais, criados há muitos anos, com ideologias fortes e atuais, teriam fracassado para Johnson. “Não se vê, como na década de 1980, um partido que traga esperança para o país. A curto prazo eu não vejo alternativa”.

Hoje, os verdadeiros representantes de classes e bandeiras da população estariam nos movimentos sociais, que lutam e vão às ruas para reivindicar melhorias na segurança, educação, saúde e protestar contra os escândalos de corrupção – diz o juiz Johnson.
Há diferença, sim

Membro do diretório estadual do partido Novo, Douglas Sandri, defende que a sigla quer mudar a política e fazer a diferença. “Observe os valores e as ideias do partido, elas são diferentes do que temos aí nas siglas que acabam esquecendo do seu ideário.”
Ele afirma que o principal desafio da sigla é jamais cair na vala comum. Critérios são usados para escolha de candidatos e filiados ao partido, que precisam corresponder aos requisitos estabelecidos na lei da ficha limpa. Isto vale para quem viria de outros partidos também.

Aqueles que se elegem ficam vinculados às suas propostas, conforme definido em carta compromisso de atuação legislativa. “O partido é formado por indivíduos que não são políticos, formaremos nossos próprios quadros, que passam por treinamentos e sabem que desvios de conduta não serão aceitos”, ressalta.

O vereador Ildo Salvi, membro do diretório estadual do Rede, acredita que a criação de novos partidos serve, sim, como oportunidade para aqueles que não estão satisfeitos com suas atuais siglas. Como aconteceu com ele próprio, que hoje acredita ter liberdade para trabalhar de acordo com o que acredita ser o melhor, e não somente para atender o partido.

“No Rede continuo seguindo meus ideais, na busca de uma política de inclusão social, sem ser eleitoreiro e endividar o município. Acredito nos princípios do partido, até porque, se ele não der certo, já tem data de extinção marcada”.

Ele destaca: “O Rede não veio para ser um puxadinho de outros partidos, inclusive em Lajeado”. Para Salvi, os partidos antigos tem somente o objetivo de ganhar. “A população não aguenta mais isso. Espero que mude. No nosso partido vejo que queremos um ganho real para a população.”
Ideais dos novos partidos

Partido Novo – 30

Defende a maior autonomia e liberdade do indivíduo, a redução das áreas de atuação do Estado, a diminuição da carga tributária e a melhoria na qualidade dos serviços essenciais, como saúde, segurança e educação. Foi fundado em fevereiro de 2011 por um grupo de engenheiros, advogados, economistas e empresários.

Rede Sustentabilidade – 18

Idealizado pela ex-senadora e candidata à Presidência Marina Silva, a legenda se apresenta como uma alternativa a cidadãos descontentes com a política. A Rede, que conseguiu o registro como partido em setembro de 2015, defende a transparência na política e a renovação de suas lideranças, pondo fim às hierarquias que controlam o cenário nacional.

PROS – 90

Fundado em 2010 pelo ex-vereador de Planaltina de Goiás, Eurípedes Junior (atual presidente da sigla), tem como principal bandeira a redução de impostos. Para que isso ocorra, entende o PROS, deve ser amplamente discutida uma reforma tributária no país.

Solidariedade (SD) – 77

Em sua plataforma política, o partido, fundado em setembro de 2013, destaca a luta pelos trabalhadores e aposentados e defende a taxação das grandes fortunas (quem tem mais, paga mais) e do capital especulativo, além do fim dos juros sobre juros praticados pelos bancos. O partido também combate especuladores do mercado financeiro – para o SD, eles alimentam os juros e encarecem a produção.

Fonte: informativo.com.br

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