Conselhos ao Partido Novo


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Caixa de Pandora

Texto de Arthur Rizzi,

O Partido NOVO, como sabemos, é uma agremiação política de centro que pretende representar o liberalismo econômico e que recebeu inúmeras adesões e alcançou as 500 mil assinaturas de que precisava para existir como partido elegível.

Porém, acho que a abordagem economicista do partido é extremamente frágil, então, decidi dar uns conselhos ao partido.

Estar dentro do Estado de direito não significa ser conservador das instituições.

O Novo quer manter-se longe do campo político da direita, isto é, do conservadorismo. Já começou mal. Longe dos valores conservadores o partido vai acabar sendo uma versão capitalista do PSOL. Basta observar a base de militantes do partido, composta majoritariamente por minarquistas libertários e um punhado de liberais clássicos. Os primeiros estão no partido mas não gostam muito da abordagem liberal clássica de seu presidente, uma vez que estão muito mais próximos do anarcocapitalismo.

Por isso mesmo o NOVO pode não representar o que mais precisamos, a conservação das instituições; o partido é uma “caixa de Pandora”, onde há duas pautas: uma responsável vinda do presidente da agremiação e do topo pra baixo, e uma irresponsável e “sonhática” – para parodiar Marina Silva – vinda de baixo para cima que não hesitaria em distorcer ou destruir boa parte das instituições em favor de uma minarquia ou uma utópica demarquia nacional.

Só porque o partido foi fundado dentro das normas constitucionais e legais, não significa que ela as preze. O PT e o PSOL são partidos legalmente constituídos, nem por isso são partidos que apreciem a democracia liberal.

Ser conservador não é necessariamente “fiscalizar” orifícios reto-anais, mas sim defender algo que é bom e funciona dentro de uma ordem política pré-estabelecida. Ao meu ver Roger Scruton define muito bem no vídeo abaixo.

 

Um partido sem políticos?

Eu até entendo que, mediante o desprestígio generalizado da classe política, o Novo tente se colocar como uma alternativa distante de tudo o que está aí. Só que não vai funcionar por dois motivos:

1- Na primeira eleição haverá candidatos e, possivelmente eleitos. Agora já temos políticos. O que na eleição seguinte fará com que esse chavão deixe de fazer sentido.

2- A “bancada” do NOVO constituir-se-á de um bando de políticos ideólogos que não entendem o funcionamento do jogo político do Brasil. Ou seja, amadores. Políticos inexperientes.

 Ao meu ver o NOVO deveria flexibilizar um pouco isso. Por exemplo: O DEM está para se fundir com o PTB numa das maiores aberrações político-partidárias da história do país; porém Ronaldo Caiado, Onyx Lorenzoni e Henrique Mandetta são contrários a essa fusão. O Novo em 2018, caso consiga eleger hum (com h como nos cheques – 01) deputado, entrará certamente como oposição ao petismo, caso Lula se candidate e vença. Assim, seria interessante que o NOVO abrisse suas portas para os supracitados políticos, pois além de serem experientes, eles têm um longo histórico de oposição ao estatismo no país, bem como foram entusiastas das privatizações da década de 90.

Isso ajudaria a alavancar o NOVO mais rapidamente, o que poderia fazer com que em 2018 o partido já nascesse com pelo menos um senador (Ronaldo Caiado) e dois deputados federais (Onyx e Mandetta). Isso sem falar possíveis eleitos do próprio partido. Outra sugestão é ir atrás de políticos novos que obtiveram sucesso eleitoral como Marcel van Hattem (PP-RS).

Afastar-se um pouco da escola austríaca pós-Hayek

No Brasil existem muitas pessoas que querem um estado menor, mas que não se juntam ao NOVO devido ao baixo-clero sonhático da militância que vive a falar de minarquia e demarquia. Isso leva essas pessoas a pensarem que o NOVO é exagerado, caricatural e amador. Certamente que há espaço para os seguidores de Ludwig von Mises e também para os devotos de Robert Nozick. Entretanto, o liberalismo econômico é um campo grande!

Dentro dele temos os clássicos, os neoclássicos, os novos clássicos, os monetaristas da escola de Chicago e os ordoliberais de Freiburg…Se fechar num clubinho da Escola Austríaca vai fazer o NOVO parecer o caricatural Libertarian Party do que um Liberal Party análogo ao do Canadá ou ao da Inglaterra.

Por fim, não espero que os líderes desta nova agremiação prestem atenção a este grande ninguém que escreve este texto. Mas se eu conseguir que hum (como nos cheques) militante abra os olhos para a realidade, já me considerarei vitorioso. Espero sinceramente que a agenda propagada pela liderança do partido se imponha e não se deixe contaminar por alguns exageros da base de militantes e fiéis seguidores de sua página no Facebook, pois, mesmo com os problemas que o partido hoje apresenta, ele representa um grande avanço no quadro político brasileiro.

Fonte: minutoprodutivo.com

Um comentário sobre “Conselhos ao Partido Novo

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