I Painel Analítico dos Filiados ao Partido Novo


Partido Novo - Análise da Distribuição dos Filiados - Parte I

 

Ainda como parte das comemorações pela milionésima curtida no Facebook, o blog 30 Diários publica matéria especial analisando em pormenores a lista de filiados do Partido Novo, divulgada oficialmente pelo TSE em meados de outubro.

Quantos são, onde estão e o que representam essa “migalha” de NOVO. E o que se pode fazer com esta modesta, porém importantíssima informação, que marca o início de uma nova era do sistema político brasileiro: o seu amadurecimento.

Estréia no TSE

O Tribunal Superior Eleitoral liberou para consulta, no dia 14 de outubro passado, a lista de filiados de todos os partidos do país inscritos até o dia 2 de outubro, data limite aos interessados em disputar um cargo na próxima eleição. Com a posterior alteração na lei, concedendo novo prazo de 6 meses às filiações, uma nova divulgação deverá ser feita em meados do mês de abril de 2016.

Mesmo com uma janela curtíssima, de apenas duas semanas, entre o início do processo de filiação (16/9) e a data limite do prazo original (2/10), o Partido NOVO pode contabilizar os seus primeiros filiados em uma listagem oficial do TSE, somando pouco mais que 1.300 nomes. Segundo o próprio partido, o número atualizado até o final de novembro, já era superior a 5.000 registros confirmados. Quantidade que deve crescer consideravelmente até o mês de abril do próximo ano.

Ainda que limitada, é possível analisar por diversos ângulos o espectro da listagem dos primeiros filiados ao Partido Novo. Dentre eles:

  • A) A cobertura geográfica da atuação recrutadora do partido;
  • B) Uma dimensão inicial da eficiência particular de cada Diretório Estadual e de cada Núcleo local, a partir do potencial estimado de sua base eleitoral;
  • C) Detectar e orientar o Diretório Nacional a reforçar a atuação nas regiões com baixa penetração ou subaproveitamento do potencial estimado;
  • D) A implementação de grupos locais a fim de coordenar a atividade partidária em cidades com alta penetração, porém sem Núcleos locais ou Diretórios organizados.

Estabelecendo parâmetros

Como ponto inicial é preciso estabelecer um índice de referência padrão, de modo a mesurar com equitatividade o número potencial de eleitores do partido Novo em cada município para, depois, poder compará-lo com a capacidade de recrutamento efetiva.

Tal medida faz-se necessária pois o potencial de votos de qualquer partido em qualquer localidade é diferente do total de eleitores da mesma. Tal limitação dá-se pelos mais diversos motivos, além dos ideológicos ou pragmáticos. Inclusive ligados ao sexo, à idade, ao índice de alfabetização, à escolaridade média, de atividade econômica e, segundo AMARAL (2014), até na cor autodeclarada do eleitor.

A intenção desta análise é demostrar que é possível se auferir a possibilidade de responder a todas as questões listadas acima, utilizando-se de inúmeras variáveis determinantes. Neste estudo em particular, utilizaremos apenas duas variáveis, porém suficientes para determinar de modo simplificado, a relação entre o potencial de filiados e o número efetivo de filiados do Partido Novo: a média de filiação partidária e o universo de eleitores que votaram na oposição, no 2º turno das eleições de 2014.

Ainda segundo AMARAL (2014), a média de filiação partidária dentro do universo total de eleitores brasileiros é de 10,7%. Superior à média européia de 4,7%, sendo inferior apenas às médias de Áustria (17,3%) e Chipre (12,3%). Continua, afirmando que o elevado nível de participação política, com intensa participação dos filiados, indica uma democracia consolidada, onde os partidos não são meramente ficcionais ou parlamentares, mas contam com uma estrutura boa e bem capilarizada por todo o país.

No quadro abaixo, estão relacionados as Regiões e seus respectivos Estados, organizados do maior para  o menor índice de referência de penetração do Partido Novo no seu universo potencial estimado de eleitores.

Este universo é calculado pela porcentagem dos eleitores que votaram na oposição, no segundo turno das eleições de 2014, multiplicado pelo percentual de eleitores (índice Brasil arredondado para 10%) com potencial de filiação à um partido político da mesma ordem ideologica.

Deste modo, é possível analisar a taxa de penetração (do universo de apenas 1.382 filiados) do NOVO em todos os Estados brasileiros:

Partido Novo - Distribuição dos Filiados no Brasil - Análise Estadual -

Destaques Estaduais

Considerando a media Brasil de 0,00027%, é possível afirmar que as melhores penetrações estão nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. As regiões Norte, com apenas um Núcleo Estadual em Porto Velho (RO) e o Nordeste, com os menores índices de compatibilidade ideológica, possuem os índices de penetração mais frágeis.

Os destaques são o Distrito Federal, com 0,00080% e o Estado do Rio de Janeiro, com 0,00061%, ambos muito acima da média nacional. No primeiro caso, podemos incultar a tradição cultural política e de possuírem condições materiais e cognitivas superiores aos demais Estados, sendo praticamente uma área urbana, sem grandes extensões rurais. No caso do Rio de janeiro, além dos trabalhos dos núcleos estadual e local do NOVO, possui um dos poucos pré-candidatos declarados do partido, inclusive, aparecendo na mídia: Rodrigo Mezzomo.

A grata surpresa porém, é a excelente colocação do Rio Grande do Norte, com a terceira melhor média de penetração do país (0,00039%). É uma demostração de que é possível mesurar as boas práticas e recompensar o excelente trabalho realizado pelo Núcleo Estadual do partido, localizado na cidade de Natal (RN).

Da mesma forma, é possível direcionar esforços e recursos para as regiões onde os núcleos estaduais não estão conseguindo reproduzir o mesmo resultado ou não estão presentes. Como é o caso do Núcleo de Goiás, com índice (0,00015%) bem abaixo da média nacional e dos estados com médias de penetração baixo de 0,00010%: AM, PB, MA, SC(!) e RR, este último sem nenhum filiado registrado oficialmente no TSE.

Análise Geográfica

Desmembrando a lista de filiados do TSE pelas cidades de origem e pela quantidade em cada uma delas, é possível ter uma visão geral da distribuição espacial destes pelo Brasil:

Partido Novo - Mapa de Distribuição Espacial dos Filiados - Brasil

Apesar da pouca quantidade disponível de filiados na listagem do TSE, é possível verificar a coincidência da ocorrência espacial em conformidade com a densidade e distribuição da população brasileira: predominantemente costeira, concentrada nos grandes centros urbanos, até os limites dos Estados da região Sul e Sudeste e até a zona da mata nordestina.

As principais ausências são o agreste nordestino, a zona da expansão agrícola nas franjas da amazônia legal, a região bragantina, no Pará, a região de Jí-Paraná (RO) e as extensas comunidades ribeirinhas do AM e PA. Além da completa ausência de Roraima e sua capital Boa Vista.

Partido Novo - Mapa de Distribuição Espacial dos Filiados - Sudeste Sul

Na figura acima, destaca-se o trabalho de divulgação e o bom número de filiados nas zonas metropolitanas das capitais do Centro-Sul. Também a capilaridade que o partido possui no interior de praticamente todos os Estados desta região.

Partido Novo - Mapa de Distribuição Espacial dos Filiados - Centro Oeste

É possível verificar que o trabalho na região Centro-Oeste tem bastante eficácia nas capitais, onde o número de filiados é elevado. Porém o trabalho não está conseguindo atingir o interior da região com a mesma força. Um exemplo é o Estado de Goiás, com um elevado número de filiados na capital Goiânia mas sem praticamente nenhuma adesão no interior do Estado, com exceção de Anápolis.

Partido Novo - Mapa de Distribuição Espacial dos Filiados - Nordeste

A região Nordeste é a que possui o menor potencial estimado de filiados e, portanto, a que demanda uma atenção especial. As ações dos futuros núcleos precisam ser bastantes acertivas e contar com estudos bem delineados, afim de obter o maior retorno possível. O Núcleo de Natal (RN) já demostrou que é possível se destacar, como exemplo de eficiência e de resultados.

A região Norte (figura abaixo) demanda enormes esforços de logística e organização. Por estes motivos, é essencial ter núcleos estaduais fortes e bem estruturados em cada uma das capitais da região. Interessante haver uma ação especial sobre Roraima e as cidades mais populosas do interior dos estados, como Ji-Paraná em Rondônia e Cruzeiro do Sul no Acre.

Partido Novo - Mapa de Distribuição Espacial dos Filiados - Norte

Também é recomendável desenvolver um grupo de ação de longo prazo, com foco no envolvimento das comunidades ribeirinhas, principalmente ao longo dos afluentes do Rio Amazonas, no próprio AM e no PA. Desenvolver uma ação mais forte na região metropolitana de Manaus e de Belém, incluindo, ao norte, a povoada região bragantina.

Filiados ativos, Diretórios fortes

Segundo Braga & Pimentel (2012), os partidos políticos brasileiros possuem estrutura de organização a nível municipal muito díspares, sendo “notória a diferenciação entre os partidos grandes e os médios e pequenos” (idem, p. 33). Enquanto os primeiros se fazem presentes na forma de diretórios estruturados, os demais partidos se utilizam da formação de comissões provisórias, cujo impacto é significativamente inferior.

As comissões provisórias possuem um tempo limitado de duração (90 dias), enquanto os Diretórios exigem maior dedicação e atividade dos filiados. Citando Guarnieri (2011), “é onde acontece realmente a vida partidária”.

Ainda segundo Braga, leine & Sabbag (2014), o sistema partidário brasileiro está nacionalizado a nível local. De fato, “os três partidos que mais elegeram vereadores no Estado de São Paulo – PSDB, PT e PMBD – também apresentaram as maiores bancadas para a Câmara dos Deputados nas últimas duas décadas”, destacando o desafio e a importância de se criar estruturas multiníveis, capazes de competir nas três esferas administrativas: municipal, estadual e federal.

Utilizando-se o mesmo critério de comparação do primeiro quadro, tomando o número de filiados por município (aqueles com mais de 5 filiados) e dividindo-se pelo seu potencial teórico de votos (na eleição de 2014) e multiplicando pela média arredondada de filiação dos eleitores brasileiros (10%), é possível analisar a taxa de penetração (do universo de apenas 1.382 filiados) do NOVO nestas localidades:

Partido Novo - Distribuição dos Filiados no Brasil - Análise Municipal -

Como resultado, dos municípios com mais de cinco filiados ao partido já é possível destacar a importância da presença de uma estrutura partidária local, mesmo que com jurisdição estadual. No ranking dos 15 melhores resultados entre filiados por eleitores em potencial, em 12 existe uma estrutura partidária de suporte e divulgação, como Diretório ou núcleo local.

Nos casos de municípios com forte presença de filiados mas sem a estrutura de um Núcleo local ou Estadual, como Lajeado e Florianópolis, é do interesse do partido a instauração, o mais breve possível, de uma estrutura representativa em caráter oficial, de modo a canalisar o esforço do grande número de filiados nestes locais.

Estruturas multiníveis competentes

Segundo Braga & Pimentel (2012), os partidos políticos brasileiros possuem estrutura de organização a nível municipal muito díspares, sendo “notória a diferenciação entre os partidos grandes e os médios e pequenos” (idem, p. 33). Enquanto os primeiros se fazem presentes na forma de diretórios estruturados, os demais partidos se utilizam da formação de comissões provisórias, cujo impacto é significativamente inferior, uma vez que as comissões provisórias possuem um tempo limitado de duração (90 dias).

É um ótimo precedente para o NOVO, uma vez que é indispensável uma participação partidária ativa, com forte ação de recrutamento, para se manter um Diretório estruturado. Um exemplo de organização estrutural em Diretórios é do PT, evidenciando a força de suas estruturas internas, mesmo a nível local. Os Diretórios exigem maior dedicação e atividade dos filiados. Citando Guarnieri (2011), “é onde acontece realmente a vida partidária”.

Ainda segundo Braga, Leine & Sabbag (2014), o sistema partidário brasileiro está nacionalizado a nível local. De fato, “os três partidos que mais elegeram vereadores no Estado de São Paulo – PSDB, PT e PMBD – também apresentam as maiores bancadas para a Câmara dos Deputados nas últimas duas décadas”, destacando o desafio e a importância de se criar estruturas multiníveis, capazes de competir nas três esferas administrativas: municipal, estadual e federal.

O principal desafio referente a atuação do Partido Novo nos pequenos municípios pode se reverter, em verdade, na sua principal vantagem em relação aos demais partidos.  Em pesquisa, 68,2% dos vereadores eleitos em 2012 (Kerbauy, 2014), citam como sua principal fonte de financiamento de campanha “recursos próprios”. Isto decorre da fragilidade financeira das comissões provisórias ou diretórios locais.

Com recursos escassos, torna-se de importância fundamental manter fortes vínculos com a sociedade civil, contando com o seu engajamento voluntário e respaldo financeiro. Em um cenário de sérias restrições orçamentárias para os partidos políticos, com a novidade da proibição do financiamento empresarial de campanhas, o Novo tem um terreno fértil para avançar nos pequenos e médios municípios brasileiros.

3 comentários sobre “I Painel Analítico dos Filiados ao Partido Novo

  1. Dennys, excelente análise!

    Sou aqui de Vitória/ES e participo do Diretório aqui no ES.

    Logo que saiu a primeira lista de filiados divulgada pelo NOVO eu fiz exatamente a mesma planilha de distribuição de filiados por município.

    Fiz com os números que o NOVO nos passou, e então Vitória/ES estava, naquele momento e com os números que eu tinha, em primeiro lugar com o que chamei de i.f., índice de filiação (coluna filiados/potencial de votos de seu quadro).

    Porém calculei o referido índice tendo como base o número de filiados informados para Vitória/ES nos primeiros dias (41) e o número total de eleitores em 2015 (para Vitória, 257.397, dados do TSE), o que conferiu à nossa capital um i.f. de 0,015929%, em primeiro lugar, com Niterói/RJ em segundo com 0,013370%.

    Analisar essa informação de forma georreferenciada é muito bom para melhor planejar as ações daqui pra frente.

    Existem ferramentas tecnológicas sensacionais hoje em dia para essas métricas e também para interação com a sociedade visando melhor o desempenho quantitativo e qualitativo desses números.

    Ótimo trabalho!

    Vamos em frente!

    Curtido por 1 pessoa

    • Obrigado Rodrigo.

      É como você escreveu, temos as ferramentas e as informações. Tudo o que precisamos é sentar e analisar estes dados, de modo a quantificar e qualificar o desenvolvimento do partido para melhor direcionar as suas ações.

      Segundo o seu exemplo também, o que fizemos foi muito bom mas dá para melhorar bastante! Chegando a detalhes incríveis. Mas aí já é papo para mais de hora rs

      Me passa o seu whatsup por mensagem, vamos conversando.

      Um grande abraço!

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  2. Pingback: II Painel Analítico dos Filiados ao Partido NOVO | 30 Diários

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