O retorno de Luis Inácio Lula da Silva


Lula - Fonte Instituto Lula

Lula discursando em Salvador, no Dia da Consciência Negra (Foto de Ricardo Stuckert / Instituto Lula)

 

Por Dennys Andrade,

O sacrifício da Dama?

O mês de novembro está presenciando o retorno midiático do ex-presidente Luis inácio LULA da Silva. O movimento de xadrez é uma forte sugestão de que a participação do ex-presidente será condição sine qua non da campanha petista em 2018.

Não se via tamanha exposição aos holofotes desde a reta final da apertadíssima vitória petista em 2014, no segundo turno da eleição presidencial. Desde então,  permanecia recluso, atuando apenas nos bastidores do governo. Evitava associar a sua imagem à péssima avaliação que acompanha a presidente Dilma.

A complexidade do contexto político atual é tamanha que fica impossível tentar prever um cenário plausivel a curto prazo. Sequer confirmar se a atual presidente é capaz de levar o mandato até o seu final. Tudo depende (infelizmente) da vontade política que tiver maior capacidade de articulação e se mostrar dominante, na caótica, despudorada e faceira república de bananas que aí está. Acertar um prognóstico para 2018 então, fica praticamente impossível.

Cenário da partida

Segundo recente pesquisa Ibope (17-21/10/15), o índice de rejeição do ex-presidente (não votariam nele de jeito nenhum) chega a estratosféricos 55% dos pesquisados. A rejeição dos demais prováveis candidatos seria: 47% para Aécio Neves (PSDB), 50% para Marina Silva (Rede Sustentabilidade). Na mesma pesquisa, Geraldo Alckim (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) empatariam com 52% de rejeição e José Serra (PSDB) teria também altíssimos 54% de rejeição.

Citando O Globo, na mão oposta, “o índice dos que votariam com certeza em Lula é maior do que a dos adversários: 23%. Aécio Neves aparece com 15%, seguido por Marina, com 11%. Serra tem 8%, Alckmin tem 7% e Ciro, 4%. Ainda segundo o Ibope, na soma de eleitores que votariam com certeza ou poderiam votar, há empate técnico entre Aécio (42%), Lula (41%) e Marina (39%). Serra e Alckmin ficam, respectivamente, com 32% e 30%. Ciro aparece com 20%.”

Segundo coluna de Leandro Mazzini, no Blog Esplanada, teremos também novas peças no tabuleiro, aproveitando-se da recente guinada brasileira à direita. Representando a ala mais conservadora, Jair Bolsonaro, atual PP, pode sair candidato à presidência pelo PSC em 2018. Mesmo partido que elegeu seu filho, Eduardo Bolsonaro, deputado federal em 2014. O PSC deixou a base aliada do governo em 2013, dizendo-se contrário às “pautas progressistas” do PT.

Na outra mão, ainda sem ter estreiado em uma disputa eleitoral e tendo que enfrentar todo o tipo de interpérie, por tentar tratar a política como um meio e não como o objetivo em sí, o Partido Novo não tem pretenções eleitorais nem candidatos definidos para 2018. Sem enrredar pelo caminho dos puxadores de votos famosos ou dos políticos carreiristas, tem um futuro com público cativo certo – as pessoas descrentes com a política atual – porém precisa ainda ganhar muita musculatura e uma massa popular substancial. Por enquanto, o Novo é apenas o peão do tabuleiro mas, já está no jogo.

Campanha antecipada

Lula voltou à mídia com força. Apenas este mês foram duas longas entrevistas: a Kennedy Alencar do SBT (parte 1 e parte 2), no dia 05 e a Roberto D´Avila, da GloboNews (vídeo), na quinta-feira 19. No dia seguinte, acompanhado do governador da Bahia, Rui Costa (PT), subiu no trio elétrico em Salvador, para o dia Nacional da Consciência Negra. Entre vaias e aplausos, marcou presença com um discurso enérgico, de um verdadeiro candidato em campanha (veja o vídeo).

Para Kennedy Alencar afirmou que “faria uma política de crédito. Aumentaria o crédito consignado, liberaria crédito para o consumo (..) A inflação não é por conta do aumento do crédito agora. É uma  obsessão, a gente não deixar ela voltar. Para defender o projeto de inclusão social, eu começo a fazer política a partir de hoje (…) Para defender este povo, eu faço qualquer coisa, trabalharei 24 horas por dia”.  Sobre o governo Dilma, afirmou “tivemos que mudar o discurso e tivemos que fazer o que dissemos que não íamos fazer”.

Na entrevista a Roberto D´Avila, da GloboNews, em 19/11, voltou a afirmar convicto: “O que que eu posso dizer pra você: se houver necessidade de defender um projeto que fez com que os pobres fossem vistos neste país, que incluiu milhões e milhões de pessoas, para defender esse projeto, se eu perceber que ele vai correr risco, você não tenha dúvida de que eu estou disposto a ser candidato”.

Sobre o cenário de crise atual, afirma que “a responsabilidade fiscal é uma obrigação, você não pode gastar mais do que arrecada”. E que “a reforma política não sairá se depender do Congresso. Apenas com uma constituinte exclusiva, do contrário, todos legislarão em causa própria. Toda vez que um político se considera insubstituível, surge um ditador.”

Novo hobby e sem debate com FHC

Com a alegria de quem descobre o universo dos livros, o ex-presidente confirma que leu a biografia de Juscelino, do Getúlio e do Janio, do Prestes, Mariguela e do Napoleão. Disse que ficou impressionado com a biografia do Getúlio, “escrita pelo Lira Neto”. 

Perguntado sobre se gostaria de conversar com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e Marina Silva, disse que não havia sentido, “Podemos beber whiskey, cerveja mas o resultado serve para que? Se tiver assunto para conversar e uma autorização dos partidos”.

Eleições 2018

Sobre 2018, Lula disse que é natural que a sociedade queira “renovação na política”, uma vez que o PT completará 16 anos no Palácio do Planalto ao término do mandato de Dilma. Mas, segundo Lula, também é natural que o PT queira permanecer no poder. Ele reafirmou que o partido tentará trabalhar outro presidenciável para a próxima disputa eleitoral, mas admitiu que ele próprio se colocará como candidato caso o projeto de desenvolvimento social iniciado pelo PT em 2003 esteja em risco.

Talvez Lula não jogue xadrez tão bem quanto aprecie um bom whiskey. O fato é que, para alguém que nunca havia tido gosto pela leitura, agora devorar biografias em série, não será nenhuma surpresa o nosso ex-presidente se dizer um fanático enxadrista, a ponto de ressuscitar Adolf Anderssen e tentar a sua própria “Imortal” ou “Sempreviva”. Afinal, o bispo e as torres já se foram… falta a dama.

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