O Brasil, da janela da bike


Parque Villa Lobos (Foto Alex Ameida ÉPOCA)

Partido Novo no Parque Villa Lobos (Foto: Alex Almeida, revista Época)

Por Frederico Turolla

Observador que sou, presto atenção no que vejo da janela da minha bicicleta. E ultimamente tenho visto muita coisa.

Há algum tempo atrás, na época das manifestações de rua, comecei a observar um feirão de ideias. Um espectro amplo que, do lado mais esdrúxulo, inclui até monarquia e militarismo. Do lado realista, não se vê quase nada mais do manual do perfeito idiota latino-americano que fez milhões de vítimas ideológicas, idiotizadas nesta terra. Ou seja, tem muita gente brigando para apresentar uma alternativa plausível às malfadadas políticas que estão destruindo esta economia desde a Era Lula.

Em um domingo, pedalando com a galera do grupo ITC, parei no Parque Vila Lobos e fui abordado por um militante do Partido Novo, com um discurso super legal. Tenho grandes dúvidas sobre a real viabilidade desse partido, e até o local onde fui abordado fundamenta essa dúvida: Parque Vila Lobos! (para os não paulistanos, o parque fica em uma área de “coxinhas”) Mas as ideias do Novo são fantásticas, os caras são muito bons e, testemunhando pelos que conheço, têm excelentes intenções. Se vingarem, lucra o país. Oxalá esteja eu subestimando a sua viabilidade efetiva.

Semana passada, parei na banca e vi as notícias de uma tal “Proposta Temer”. O movimento do PMDB, pelas mãos do vice-presidente Michel Temer na formatação de uma nova agenda anticrise é significativo. E não é a primeira agenda positiva que o PMDB faz rodar em meio à crise, os caras são bons nisso, mas importa seu conteúdo.

É só ler o resumo feito na reportagem de Raymundo Costa para o Valor. A proposta inclui o fim do regime de partilha na exploração do petróleo, adoção do “Orçamento de base zero”, fim da indexação pelo salário mínimo, inclusive dos benefícios previdenciários, e permissão para que as convenções coletivas prevaleçam sobre as normas trabalhistas. E a “Proposta Temer” tem muito mais que isso. E quase nada do velho idiotismo latino-americano.

A Presidente Dilma pedala, como eu, mas não vê nada do que vejo, parece alheia a esse feirão de ideias. Ela insiste em estratégias fracassadas, continua com políticas ruins e ainda prioriza a agenda da autopreservação. Com um ou outro acerto pontual e algumas iniciativas positivas vindas de um ou outro ministério, mas no conjunto de seu governo, um show de horrores.

Tenho claro que a opinião pública e o eleitorado estão em mudança.

O feirão de ideias está aberto e ninguém consegue precisar, ao certo, quem é esse eleitor pós-lavajato, pós-PT, pós-esquerdismo barato. Aquele mesmo esquerdismo que, por razões corporativistas, defende que o pobre pague pela educação superior do rico e chama de neoliberal quem defende o contrário.

Até os taxistas, um grupo bem idiossincrático que muitos intelectuais fraquinhos têm o mau costume de tomar como voz do povo, já andam vocalizando coisas diferentes.

Não obstante a dúvida, parece certo que esse eleitor é menos propenso a cair nas conversas fiadas que o seduziram desde a última década. E tende a avalizar uma agenda mais pro-produtividade do que tivemos até recentemente. Até o tema privatização, oportunisticamente descontruído por Lula, volta a ganhar apoiadores pelo simples fato de que o recente achaque às estatais virou manchete.

Da janela da bike, nas ruas e faixas paulistanas, vejo mudanças latentes. Ouço-as, também. Será que eu só frequento redutos de coxinhas? Ou será que a liberdade em relação ao trânsito me deixou romântico?

Fonte: leonardotrevisan.com.br

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